Seguras-me.
De joelhos na madeira fria
do chão pontuado a velas
que ardem e inebriam.
Morangos e incensos
e baunilhas e canelas.
Seguras-me.
Mostras-me a língua
e provocas-me sabendo
o quanto espero o calor
que tens à minha espera
no interior do teu sorriso.
Apertas-me.
Percorres-me.
E o Otis na aparelhagem
de braços doridos e estendidos
para nos segurar num só aperto.
Apertas-me sorrindo.
E a tua nuca ondulante
reflectida no espelho de tecto
iluminado pelo lusco fusco
das estrelas acesas no soalho.
Lá fora o céu.
E eu preso no céu da tua boca
entre suspiros, almejando liberdade
e desejando libertar-me em ti.
Olhas-me para dentro.
E os sons do teu beijo
misturam-se aos acordes da música
que já não oiço,
por ser só seiva, só saliva.
Letra que já não conheço
por ser só respiração e olhos presos
como o gutural grito
que se esconde no meu peito.
Consomes-me.
De olhos gratos em mim,
que agarras ainda,
de dedos e mãos húmidas
como a noite que se corre lá fora.
Zéphyro 30-11-2014
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