sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Jactância

Sei de um príncipe da cidade,
que traz ufania nos olhos
ligeiramente oblíquos e secos
de lágrimas e afectos.
Dobra com jactância cada esquina
da polis e recebe vénias
a cada umbral do caminho.
Sei de um nobre a pulso,
que passeia pelo braço a soberba
e vai com ela a parques
e a jantares à luz de vela.
Partilha com ela soirées de cinema
onde se vangloria com regozijo
do próprio protagonismo nas fitas,
que correm ininterruptas e orgulhosas.
Sei de um contador de histórias,
que tem o mundo como auditório
e uma leve ruga no sorriso de bazófia.
Fala na terceira pessoa,
e respeita-se como um deus
que merece ser venerado,
que precisa de ser venerado.
Sei de um príncipe na cidade,
pequena demais para os seus sonhos.
Dobra a esquinas de peito feito
e todo ele nariz erguido
de distinção e dignidade,
parte em rumo ao sol que se recolhe
nos confins esfumados
da orla do seu império abandonado.

Zéphyro 26-12-2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Rebela-te

Não adianta mais chorar,
chorar não é a solução.
Cada lamento é sofrimento
não te traz paz nem pão.
Tens os teus velhos em lares
e os amigos mais além.
E onde tinhas conhecidos
hoje não está ninguém.
Tens uma arma na gaveta
e a força na tua mão.
A tua vida na sarjeta
e partes para a rebelião.
Vais sem medo, a preceito,
ódio da cabeça aos pés.
A tua luta está ao peito
onde resta quem tu és.
Não adianta mais chorar,
a raiva é uma nação.
Não trazes nada nos bolsos
nem tu vales um tostão.
Para quê ficar quieto,
se o futuro é certo
e nada tem de emoção.
Rebela o teu intelecto,
fica firme e erceto,
ama a tua revolução.
Olha nos olhos o poder
que só te ajudou a perder
o que tinhas a teu lado.
Que sejam eles a temer
e sejam eles a morrer
quando tudo der errado.


Zéphyro  22-12-2014

Antecâmara do Inferno

Máquinas de raio-x,
gente descalça e revistas,
ilustram o caminho
até a antecâmara do inferno.
Porta 31 ou qualquer outra
e um mar de gente
ao estilo de arraial minhoto.
Há quem dance corridinhos,
quem adormeça nas cadeiras,
quem espere e desespere
e quem esbanje nas tendas fúteis
a certeza de mais uma voltinha.
O carrocel não é para pobres, é certo,
não deixa, porém, indiferente
mesmo a alma que não enjoa.
Porta de embarque.
E o ar embargado e abafado,
já cuspido, certamente, por alguém.
Porta de embarque, ainda estanque,
pelas anafadas mãos do tempo
que se arrasta em fila indiana,
até à manga de acesso.
Antecâmara ou purgatório
e tantas malas para aviar
que o avião descola hoje.
Dizem pelo altifalante...


Zéphyro  21-12-2014

sábado, 20 de dezembro de 2014

Perritos Calientes

Sempre de pé vive a movida
e anda sempre esbaforida
no alto do pé sem meia.
Bicicletas, carros e euforia
atocha, prado e gran vía,
de portas abertas e casa cheia.
De pé á porta come a movida,
e de entre tantos e tanta comida
porque não se janta, não tenho ideia.
Pães, pãezinhos e churros quentes
presuntos, batatas e até sementes,
um petisco a cada esquina.
Praças cheias, novas gentes,
queijos, mercados, perritos calientes,
e as ciganas que leem a sina.
De mão dada, todos contentes
e sempre fugindo das correntes,
dos motins e das meninas.
Esta Madrid não foi contada,
vi-a eu, ao longo da estrada
e nem frio cheguei a sentir.
Talvez pelo calor da caminhada
ou então da calle apinhada
de gente esguia e sempre a sorrir.
Esta Madrid tão visitada,
vazia de alma, mas de cara lavada
e lágrima postiça na hora de partir.


Zéphyro 20-12-2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O tempo é um seixo

O tempo é um seixo,
preso nas borrachas entrelaçadas
das rodas de um carro velho.
Que nos livre cristo da hora de ponta
que não desponta, não ata, nem desata.
Que nos salvem os santinhos dos regressos,
sem progressos a olho desnudo,
em marcha lenta até ao leito.
O tempo é um godo marginal,
embalado pelas ondas
que rebentam na costa,
quando rebentam na costa as ondas.
Fora isso, é só um godo,
à margem de movimentos,
saboreando sais de areia.
Que nos livre neptuno
das borrascas e bonanças
que ora impelem, ora impedem
o tempo de se emancipar.
Que nos livre iemanjá,
dos mares sem pescado,
abandonados ao deus de ará.
O tempo é uma pedra roliça
e rolante embargada por uma enxurrada.
Um naco de lodo que desliza
entre lodos, em direcção ao lodaçal.
Que nos livre a atmosfera
da mão lampeira do adiamento.
Que nos livre cronos
do abraço de pilar jónico
com que nos ampara o desespero,
desta espera desbaratada.
O tempo é um seixo entre seixos,
perdido nos escombros da tempestade.
Um seixo igual aos seixos
que não são tempo,
são só vãs realidades,
perdidas no areal.

Zéphyro  15-12-2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Dez açoites em pele de alabastro

Escanteada na sala dos castigos
aguardas por mim, vexada
pelo teu erro e pela nudez.
Olhos fixos no soalho
e só aspiras a vergasta
que te há de corrigir.
Serão dez os açoites
a tingir a tua pele de alabastro.
Só se ouve o ar entrar em ti
e o peso dos meus passos,
firmes na tua direcção.
Estado de sítio
e a minha sombra na parede
agigantando-se à tua,
iluminada pelos candelabros acesos.
Ajoelhada de mãos sobre o colo,
ficas à espera do silêncio rasgado
pelo assobio agudo da chibata.
Serão dez os açoites
a marcar o alabastro do teu couro.
Braço erguido, olhos caídos
e a sibila, em antecipação
à linha encarnada no teu lombo.
Braço caído, olhos chorosos
e toda a força do teu peito
a impedir que implores piedade.
Um. Conto eu, repetes tu.
Serão dez os açoites
com que te brindarei a tez imaculada.
Dois. Conto eu e tu a tinir
que adoro ver-te chorar.
A tua dor remexe-me as entranhas
e causa sensações estranhas
a maior delas é o tesão.
Três, conto eu e tu mordes o lábio.
Adoras a dor que te inflijo
e os estados que atinjo
quando sou o teu carrasco.
Serão dez os açoites
a desaguar ferozes no alabastro
escarlate da tua pele de pecadora.
Faltam sete, será que aguentas?
Desce brusco o braço, com mestria
e ressalta o fundo das tuas costas.
Quatro, cinco, seis, sete, num murmúrio
de cólera carnal e dentes cerrados.
Quatro, cinco, seis, sete entre lágrimas
e o laivo róseo desenha obeliscos
na epiderme das tuas falhas.
Faltam três, serão dez os açoites
deste correctivo que te brinda o corpo.
Ainda estás comigo?
Oito, nove e dez, só de raspão
que já trémula tenho a mão
que te põe no teu lugar.
oito, nove, dez, contas com paixão
e prometes errar outra vez.

Zéphyro  12-12-2014

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Os primos catita e a prosa dos loucos

Durou mais de quinze horas
e já não há memórias
de uma assembleia assim.
Um dos primos trouxe rosas
o outro era só prosas
e pózinhos de perlimpimpim.

Se fosse tempo dos czares,
dos bolcheviques e militares,
certo o desterro na sibéria.
Mas para azar dos azares
este povo, dono dos mares
nunca gostou de gente séria.

Tolstoi deu em agricultor,
e o Relvas fez-se doutor
mesmo sem estudar lição.
Ambos letrados sim senhor,
mas o primeiro, o escritor,
deixou as letras na prisão.

E os dois primos bem catitas,
agora mina sem pepitas,
prosearam para inglês ver.
Se as verdades foram ditas,
foi em letras pequenitas
e ninguém as conseguiu ler.

Louco eu sentado no chão,
bem colado na televisão
para saber quem é culpado.
No fim nenhum perdeu razão,
ou nunca a teve então
e cearam ambos na tasca do lado.

Aos primos, só lhes faltou o pranto,
mas para isso, remédio santo,
que haverá nova oportunidade.
Houve alguém que gostou tanto,
por obra do espirito santo,
e seja feita a sua vontade.

Nova prosa e nova sessão,
ouvi que até as tias vão,
nem que seja para achincalhar.
Eu grito alto e a bom som
- Agarra que é ladrão!
mas ninguém quer agarrar.

Zéphyro  11-12-2014

Só os melhores tocam em Wembley

Guitarras e batucadas de parte,
só os melhores tocam em Wembley.
Está o mundo repleto de coliseus
e outros estádios menos nobres
para os músicos que sobrevivem apenas
durante uma ou duas gerações, no máximo.
Quem foi ao Estádio do Império,
vive para sempre, de pais para filhos,
como uma qualquer doença hereditária.
Alguns, como a Voz da Rainha,
deixaram já a superfície palpável
desta terra que assassina os seus ídolos.
Esses, fizeram o som que se ouve ainda,
quais miragens promissoras,
no vazio deixado pela Arena.
Gritarias e uníssonos de parte,
só os deuses enrubesceram Wembley,
como outrora os mitos gregos
fizeram com o Olimpo.
Está o mundo cheio de salas
e bares ás moscas e média luz
preparadíssimos para receber
estes vulgares anti-fenómenos musicais.
Estão os bares recheados de garrafas,
ainda assim, poucos vêm para beber,
afugentados pelos acordes efémeros.
Palmas e desmaios de parte,
só os génios tocaram em Wembley.
Está lotado de palcos o mundo...
Que falta sinto dos altares e pedestais.

Zéphyro  11-12-2014

Marasmo da maralha - vira o disco

E corre paralelo fora a maralha,
seguindo de longe a candeia
que alumia o caminho para lá...
Sabe-se lá para onde.
Ensurdecedor o barulho dos cascos,
furiosos como os olhos cheios de ossos,
como os olhos cheios de nada e fome.
Vira o disco.
Nenhum leão se atira sem medo
para o interior do arco em chamas.
Anos de instinto e evolução
gritam-lhe ao ouvido que o fogo,
todos sabem, não é flor que se cheire.
Apenas o agudo silvo do chicote
brandido pela mão hábil do domador,
grita mais alto que as vísceras
que se revolvem a cada esquina do caminho.
Corre calçada fora o marasmo dos bichos,
seguindo o apelo de quem lidera o grupo,
talvez mais amedrontado e mal nutrido
que todos os outros, meros seguidores.
Vira o disco.
Nenhum petiz entrega sem medo,
o braço ás agulhas da saúde.
Anos de dor e choro convulso,
gritam-lhe ao ouvido que o sangue,
todos sabem, não é bonito de se ver.
Apenas o calor do sussurro no ouvido
encostado á benévola boca materna,
se ergue mais alto que a pedra
que se solta do solo à passagem
revoltosa e caótica da maralha.
Vira o disco.
Todos encovados, todos desolhados.
Todos mutantes, todos motivados,
pelo apetite que a corrida lhes dá.
Todos sujos, todos pasmados.
Todos jovens e imberbes ainda,
enfeitiçados pela voz de megera
que lhes chama pelo megafone.

Zéphyro  11-12-2014

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sobre o amor que não sei

Só sei amar com pompa e circunstância.
Sou de picos, altos e baixos,
extremos opostos, sexo, ignorância,
o mais macho de entre os machos.

Só sei amar com raiva e fervor
e odiar com carinho singelo
o que te dou, que é sempre o melhor,
a roupa nova e o novo cabelo.

Mereces o melhor de mim, bem sei,
o dobro até de tudo o que te dei
e as mãos dadas no aconchego.
Que ao menos o amor houvesse lei
e me ensinasse o que sempre descurei,
e não deixa que tenhas sossego.

Sou aquém das tuas fantasias de menina,
onde me vias chegar a cavalo e de armadura
que largava de um pulo para subir torre acima
e libertar-te dessa tua clausura.

Valho menos que lixo, não tenho dote
ou maneiras lisonjeiras de cavalheiro.
Não paro de olhar, confesso, o teu decote
e raramente permito que entres primeiro.

Sou demasiado grotesco e tu delicada
que humilde, não pedes de mim mais nada
do que a mediocridade que te dou,
sempre com uma mão fechada.
Um dia desistes de mim, desanimada,
e jamais saberei o que sou.
Se uma vida em debandada
ou um alguém que nunca chegou.


Zéphyro  10-12-2014

Rola a bola sem o tonto

A bola já rola no estádio
emoção, espectadores, locutores de rádio,
só o tolo do meu pai está fora.
As bancadas já cantam os hinos,
camisolas, cachecóis, pinturas na cara dos meninos,
Só o meu pai, o tolo, não tem bilhete.
Não que não goste de ver a bola,
mas nunca foi de pedir esmola
e abrigo de um banco qualquer.
Não que não saiba bem da arte,
lê o jogo nos esgares e nos golos de cada parte,
apenas se escondeu da convocatória.
A bola já saltita no relvado,
um passe, duas fintas e está feito o resultado,
só o meu pai, de tolo, não viu o jogo.
Já se fez o porto campeão de inverno,
e o futebol tão lindo, tão viril e moderno
é a paixão de todos nós.
Compra-se, vende-se, troca-se vedetas,
e enche-se de cromos as novas cadernetas
só o meu pai não faz parte da colecção.
Não que tenha saído de circulação,
ou tenha ido para as Arábias, para a China ou Irão.
Apenas tem lares por que zelar
e filhos famintos para alimentar
que a mãe chega mais tarde à quarta feira.
A bola já rola com aparato,
os taxistas, apenas ouvem o relato
roendo as unhas até ao coto.
As equipas já festejam as suas vitórias
ouvem-se os velhos, falar de velhas glórias,
apenas o meu pai continua tonto.


Zéphyro  10-12-2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Besegol

A vida lá fora pressiona e pesa
e arrasta na lama os teus dias.
Besegol, tudo dispersa.
Quando vês, tu e a roda
e nenhum flagelo para debater.
As gentes da rua exigem
de ti muito mais que a vergonha
e falas de figurante,
monossílabos e obrigados.
Besegol, tudo oferece.
Quando olhas, tu e o mar
de gente em teu redor
a beber-te do discurso.
É uma estafa a catadupa
de pensamentos soltos
e desordenados que te assombram
e ensombram a existência.
Besegol, tudo clarifica.
Quando pensas, já não reténs
os pensamentos, que se vão,
num ápice, para o nada
de onde também chegaram.
As cidades têm casas,
nessas casas vive gente,
e a gente das casas sufoca
e ocupa todo o espaço.
Besegol, tudo conquista.
Quando passas, já só vais tu,
sozinho. Sem amigos ou companhia
que não a loucura que te fala,
obscuramente por cima do ombro.
A vida lá fora tem muita vista
e cansa os olhos de tanta beleza.
Besegol, tudo esconde.
Quando olhas, tu e o breu,
que te guia de mão nas costas.

Zéphyro  08-12-2014

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Homilias, malmequeres e verborreia

Do alto de um palanque
diz o sacerdote os seus credos.
E o povo, já sem medos,
estanca as feridas com o psitacismo,
a água benta e o algodão.
Campos de malmequeres,
gratos pelas palavras da homilia,
vendo as suas pétalas sorteadas.
Bem me quer, mal me quer,
muito, pouco, nada.
Da nave ensolarada pelos vitrais,
dita o dominicano as lacunas.
E a assembleia, leve como plumas,
exortada pelas tábuas do pecado,
ajoelha-se nos milhos do arrependimento.
Dentes que saltam boca fora
a golpes de alicate sem sangue.
Bicos de papagaio nos ossos,
descalcificados pela ausência de leite
no seio da dantesca mãe europa.
Os cônjuges, nascem no púlpito
onde o profeta, com requintes de louva-a-deus,
os devora, começando pela cabeça.
O sermão veio faminto nesta celebração.
E o povo, já só alma e coração,
agita no alto as mãos vazias
de pratas e orgulhos balofos.


Zéphyro  05-12-2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Bueiros, valetas e outros depósitos de entulho

Ninguém nos ensina o caminho, é certo,
que cavamos à pazada
o nosso próprio trilho.
No tempo da ilha dos amores,
voltávamos heróis
e escreviam epopeias em nosso nome.
Agora, quando temos ímpeto de sair
voltamos como anónimos, só.
Ou então, voltamos directo
para a valeta que esburacamos,
antes de sair, num monte alentejano.
No tempo das Índias e das sedas,
eram magnânimos os nossos senhores
e indulgentes os nossos discípulos.
Hoje, no tempo dos bueiros e sarjetas,
os senhores são reclusos
e têm apenas motoristas,
reclusos também em breve,
que a justiça não é cega,
mas tem miopia quanto baste.
Ninguém nos ensina a vida, é certo,
que bem somos sabedores
do percurso e do destino,
invariavelmente junto ás folhas secas
e despojos levados pelas chuvas
e pelos carros de passagem.

Zéphyro  04-12-2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Cinquenta e um

Não há pé de feijão
que me leve ao paraíso
para onde te escapuliste.
Posso levantar os braços
e mover mundos sozinho,
nada tirará a tua imagem
daquela página de obituários.
Mãe amada, filha querida.
Mão pesada, vida perdida.
Não há bailéu no mundo
que me erga aos píncaros
para onde te elevaste.
Posso escalar qualquer parede
e derrubar qualquer barreira.
Nunca o teu nome
irá apagar-se daquela cruz
onde agora jaz pintado.
Não existe asa solta
ou tapete mágico,
que me guie ao apogeu
onde se refugia, agora,
o teu rosto de criança.
Posso rezar, bradar, partir.
Posso parar, correr, fugir.
Nenhuma águia em chamas
se erguerá das cinzas
do tempo que já queimaste.
Nenhum mausoléu aberto
me dará passagem
para a tua nova morada.
Cinquenta e um...
Apenas mais dez que quarenta e um.
Cinquenta e um...
apenas mais um ano em cima
da última vez que te contei a falta.
Não há escada no mundo
que te resgate dessa janela,
ou que me leve junto a ela
para te poder visitar.


Zéphyro  01-12-2014