terça-feira, 16 de agosto de 2011

Auto- Retrato como deus

Bem-vindos, não temeis entrar agora.
Já vistes tudo... o ego, a essência, sim...
Nem por sombras, vos deixo ir embora,
vinde saber o que é Ser, dentro de mim!

Numa multidão, sou uma ilha inatingível.
Só, num canto escuro, sou teatro e festival.
Deixo que fluam as palavras, no diálogo impossível
E engulo-as guloso, quando as quereis como ao sal.

Retorcido, atrevido e pervertido pela manhã.
Taciturno, mentiroso, de fachada posta.
Divertido, puro, verdadeiro, sabeis lá...
Sou só o que tenho de ser... alguém de quem se gosta.

Tenho pretensa a coragem, que vos passo a peito feito,
Tenho em mim trémula, a voz que vos comanda.
Sou no fundo um só mais, sem mérito nem jeito,
palavra que soa a lei... mas é mera propaganda.

Parecendo o que sou, tão fugaz e peneirento,
porque razão será que me amais assim?
Se calhar porque sou Zéphyro, sou só vento,
sou inspirado e não visto. Não se pode viver sem mim!

Zéphyro

Vem ver como é Ela!

Cava, cava bem fundo...
Põe de lado enfeites, euforias e embustes,
põe de parte o que vês e o que te diz o mundo.
Só assim lá chegarás sem que te assustes.

Fecha as portas, as janelas e os olhos,
fica no escuro, fica inerte, surdo e mudo.
Fica contigo com as ideias a fervilhar.
E saberás de que falo pois falo tudo!

Sorri ao pecado, elitista e viciado,
esquece tudo que dele te falaram os mortais.
Esquece o que sabes, o preconceito implantado
e verás que afinal, tudo é prazer e nada mais.

Faz a viagem! Boa sorte!
Coragem! Porque é dura, isolada e enganosa.
Mas fá-la, para que dela tragas a morte,
e vejas que não é rei é roque, não é fria mas glamorosa.


Zéphyro