Bem-vindos, não temeis entrar agora.
Já vistes tudo... o ego, a essência, sim...
Nem por sombras, vos deixo ir embora,
vinde saber o que é Ser, dentro de mim!
Numa multidão, sou uma ilha inatingível.
Só, num canto escuro, sou teatro e festival.
Deixo que fluam as palavras, no diálogo impossível
E engulo-as guloso, quando as quereis como ao sal.
Retorcido, atrevido e pervertido pela manhã.
Taciturno, mentiroso, de fachada posta.
Divertido, puro, verdadeiro, sabeis lá...
Sou só o que tenho de ser... alguém de quem se gosta.
Tenho pretensa a coragem, que vos passo a peito feito,
Tenho em mim trémula, a voz que vos comanda.
Sou no fundo um só mais, sem mérito nem jeito,
palavra que soa a lei... mas é mera propaganda.
Parecendo o que sou, tão fugaz e peneirento,
porque razão será que me amais assim?
Se calhar porque sou Zéphyro, sou só vento,
sou inspirado e não visto. Não se pode viver sem mim!
Zéphyro
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