Não sei como verter em palavras aquilo que sinto...
Porque nem sempre estou certo daquilo que sinto...
Por vezes sinto tristeza e depressão,
outras, sinto o coração em euforia.
De vez em quando sinto a noite e a escuridão
e de quando em vez sinto a clareza da luz do dia.
Não sei como verter em palavras aquilo que sou...
Porque nem sempre estou certo daquilo que sou...
Por vezes sou uma sombra sem significado,
outras, o sangue azul da realeza.
De vez em quando sou um louco revoltado
e de quando em vez sou a razão e a certeza.
Não sei como verter em palavras aquilo que vejo...
Porque nem sempre estou certo daquilo que vejo...
Por vezes vejo a futilidade ignorante de toda a gente,
outras, vejo a beleza, a esperança e a bondade.
De vez em quando vejo um mundo inconsequente
e de quando em vez vejo em todo o mundo liberdade.
Não sei como verter em palavras aquilo que quero...
Porque nem sempre estou certo daquilo que quero...
Por vezes quero a morte e quero o nada,
outras quero a sorte e o calor de um abraço.
De vez em quando quero correr todos à porrada
e de quando em vez, quero estar completo com aquilo que faço.
Não sei como verter em palavras as palavras em que penso...
Porque nem sempre estou certo das palavras em que penso...
Por vezes penso em desfazer que rima com esquecer
outras, penso em arte que rima com estandarte.
De vez em quando penso em morrer que rima com desaparecer
e de quando em vez penso em amor que está em toda a parte.
Zéphyro 13-06-2019
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Larápio de emoções
Quero um estômago vazio
a roncar de fome
dentro da minha barriga farta.
Quero tremer toda uma noite de frio
enquanto a miséria consome
cada caloria que me enfarta.
Quero um peito mutilado
pelo gume de uma navalha
que por sorte não me matou.
Quero um braço amputado
enrolado numa mortalha
e banhar-me em toda a dor que me causou.
Quero velar um amor perdido
para as garras de alguém melhor
que lhe deu o que eu não pude.
Quero cair por terra vencido
após duelar-me com fulgor
e desperdiçar a minha juventude.
Quero punição pelos meus erros,
na forma de uma pena de morte
ou de uma vida encarcerado.
Quero chorar entes em tristes enterros
e quedar-me sozinho entregue à minha sorte
enquanto me sinto incompleto e desamparado.
Quero ser filho da orfandade
e não ter a quem recorrer
para um abraço solidário.
Quero ser largado na sociedade
sem ter virtudes com que me defender
nem caminho que me guie ao calvário.
Quero toda a dor que alguém teve
a latejar dentro de mim como tambores
de uma antiga celebração tribal.
De outro modo, estar vivo de que serve
se nem medos nem tremores,
apenas o dia a dia, sempre mortiço e banal.
Zéphyro 13-06-2019
a roncar de fome
dentro da minha barriga farta.
Quero tremer toda uma noite de frio
enquanto a miséria consome
cada caloria que me enfarta.
Quero um peito mutilado
pelo gume de uma navalha
que por sorte não me matou.
Quero um braço amputado
enrolado numa mortalha
e banhar-me em toda a dor que me causou.
Quero velar um amor perdido
para as garras de alguém melhor
que lhe deu o que eu não pude.
Quero cair por terra vencido
após duelar-me com fulgor
e desperdiçar a minha juventude.
Quero punição pelos meus erros,
na forma de uma pena de morte
ou de uma vida encarcerado.
Quero chorar entes em tristes enterros
e quedar-me sozinho entregue à minha sorte
enquanto me sinto incompleto e desamparado.
Quero ser filho da orfandade
e não ter a quem recorrer
para um abraço solidário.
Quero ser largado na sociedade
sem ter virtudes com que me defender
nem caminho que me guie ao calvário.
Quero toda a dor que alguém teve
a latejar dentro de mim como tambores
de uma antiga celebração tribal.
De outro modo, estar vivo de que serve
se nem medos nem tremores,
apenas o dia a dia, sempre mortiço e banal.
Zéphyro 13-06-2019
domingo, 6 de janeiro de 2019
Quando te escrevo poemas
Quando te escrevo poemas,
ou é para te exaltar e cantar o meu amor,
ou para gritar e desabafar a minha dor
e afugentar de ti os meus problemas.
Sempre que te falo, falo em binómios
e espero sempre que espantes os meus demónios
ou que sejas a morte que me traz a calma.
Sempre que te escrevo, são os meus neurónios,
obtusos e pouco dados a matrimónios,
a desnudar-te as chagas da minha alma.
Quando te escrevo poemas,
geralmente espero ajuda.
Geralmente, é um deus me acuda
que almeja as palavras mais amenas.
Sempre que te falo, falo do fundo.
Do mais escuro de mim, do mais imundo
que os meus sentimentos podem sentir.
Quando te escrevo, dura apenas um segundo
até me deixares ao desabrigo, como um vagabundo
que entregou a vitória e deixou de competir.
Quando te escrevo poemas,
posso ser puro e ser casto.
Posso ser mais brilhante que um astro,
mas geralmente, sou eu apenas.
Sempre que te falo, sonho que escutas...
E sonho que entendes e que acabaram as lutas
e que podemos viver, simplesmente.
Mas se te escrevo palavras astutas,
não me descartes depois do prazer, como se faz às putas...
Senão tenho de recomeçar e escrever tudo novamente.
Zéphyro 06-01-2019
ou é para te exaltar e cantar o meu amor,
ou para gritar e desabafar a minha dor
e afugentar de ti os meus problemas.
Sempre que te falo, falo em binómios
e espero sempre que espantes os meus demónios
ou que sejas a morte que me traz a calma.
Sempre que te escrevo, são os meus neurónios,
obtusos e pouco dados a matrimónios,
a desnudar-te as chagas da minha alma.
Quando te escrevo poemas,
geralmente espero ajuda.
Geralmente, é um deus me acuda
que almeja as palavras mais amenas.
Sempre que te falo, falo do fundo.
Do mais escuro de mim, do mais imundo
que os meus sentimentos podem sentir.
Quando te escrevo, dura apenas um segundo
até me deixares ao desabrigo, como um vagabundo
que entregou a vitória e deixou de competir.
Quando te escrevo poemas,
posso ser puro e ser casto.
Posso ser mais brilhante que um astro,
mas geralmente, sou eu apenas.
Sempre que te falo, sonho que escutas...
E sonho que entendes e que acabaram as lutas
e que podemos viver, simplesmente.
Mas se te escrevo palavras astutas,
não me descartes depois do prazer, como se faz às putas...
Senão tenho de recomeçar e escrever tudo novamente.
Zéphyro 06-01-2019
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Ser é tramado
A depressão é um estado
em que a razão jaz num corpo inanimado
que não sabe caminhar como os demais.
E o que quer que mova é estar parado...
E uma multidão é estar isolado...
E os dias morrem todos iguais.
A motivação é uma longa espera,
uma árvore nua em plena primavera,
que não sabe dar-se à luz solar.
E a alegria... quem nos dera...
E não mais desta agonia que parece uma fera
e não nos deixa ressuscitar.
Cada linha do horizonte é um novelo
que faz de cada sonho um pesadelo
e de todo o sono faz letargia.
E o abismo seduz com o seu apelo.
E o nada... já estou a vivê-lo.
E a paz é uma mera fantasia.
O Eu, é só mais um além do resto.
E o meu já é tão mau que até detesto.
Só me resta o escuro do meu ego apagado.
Um dia talvez, nem marasmo nem deserto!
E tudo o que está longe, fique talvez mais perto!
E que eu consiga não ser, pois ser é tramado.
Zéphyro 04-01-2019
em que a razão jaz num corpo inanimado
que não sabe caminhar como os demais.
E o que quer que mova é estar parado...
E uma multidão é estar isolado...
E os dias morrem todos iguais.
A motivação é uma longa espera,
uma árvore nua em plena primavera,
que não sabe dar-se à luz solar.
E a alegria... quem nos dera...
E não mais desta agonia que parece uma fera
e não nos deixa ressuscitar.
Cada linha do horizonte é um novelo
que faz de cada sonho um pesadelo
e de todo o sono faz letargia.
E o abismo seduz com o seu apelo.
E o nada... já estou a vivê-lo.
E a paz é uma mera fantasia.
O Eu, é só mais um além do resto.
E o meu já é tão mau que até detesto.
Só me resta o escuro do meu ego apagado.
Um dia talvez, nem marasmo nem deserto!
E tudo o que está longe, fique talvez mais perto!
E que eu consiga não ser, pois ser é tramado.
Zéphyro 04-01-2019
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