Quando te escrevo poemas,
ou é para te exaltar e cantar o meu amor,
ou para gritar e desabafar a minha dor
e afugentar de ti os meus problemas.
Sempre que te falo, falo em binómios
e espero sempre que espantes os meus demónios
ou que sejas a morte que me traz a calma.
Sempre que te escrevo, são os meus neurónios,
obtusos e pouco dados a matrimónios,
a desnudar-te as chagas da minha alma.
Quando te escrevo poemas,
geralmente espero ajuda.
Geralmente, é um deus me acuda
que almeja as palavras mais amenas.
Sempre que te falo, falo do fundo.
Do mais escuro de mim, do mais imundo
que os meus sentimentos podem sentir.
Quando te escrevo, dura apenas um segundo
até me deixares ao desabrigo, como um vagabundo
que entregou a vitória e deixou de competir.
Quando te escrevo poemas,
posso ser puro e ser casto.
Posso ser mais brilhante que um astro,
mas geralmente, sou eu apenas.
Sempre que te falo, sonho que escutas...
E sonho que entendes e que acabaram as lutas
e que podemos viver, simplesmente.
Mas se te escrevo palavras astutas,
não me descartes depois do prazer, como se faz às putas...
Senão tenho de recomeçar e escrever tudo novamente.
Zéphyro 06-01-2019
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