quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A minha ode ao mar

Eu quero beijar a boca ao mar!
Beija-lo com força e sem pingo de carinho,
sugar a sua língua para junto da minha
e morde-la e repuxa-la até que lhe doa o freio.

Quero devassar a pureza ao mar!
Leva-lo, à noite, para um bar
e embebeda-lo à má fila
para poder partilha-lo com os meus amigos.

Quero o mar todo despido,
agachado e meio inconsciente
no banco de trás do meu carro.
Quero fecunda-lo e que me observem pela janela.

Quero engravidar o mar à força!
Para que depois, sem ponta de respeito,
o leve a abortar numa clínica em Espanha,
onde quase ninguém me conhece.

Quero que o mar lave a minha roupa
e esfregue o chão da minha casa.
Fazer de toda a sua imensidão
a minha escrava privativa.

O mar tem seios, enormes!
Quem me dera aperta-los sem delicadeza
e trincar-lhe os mamilos até que sangrem
um sangue demasiado salgado para a minha boca.



Zéphyro   12-10-2016