Ouve-se ao longe um murmúrio.
Uma cantilena distante,
uma lenga-lenga
que canta as crenças
e os credos de uma nova geração.
Trazem de volta ecos atirados ao acaso,
contra montanhas, ao sabor de marés
e a favor dos ventos.
Vêm destilar a luz podre,
a paz ardilosa e as vidas desfiguradas
e desonradas por uma fome impossível de saciar.
Sente-se, longínquo, um tremor,
um trovão, um troar...
Como que uma força que cresce,
uma energia que se renova
escondida algures, pronta a implodir.
Pronta a ensinar novos hinos,
que serão bradados em uníssono
em forma das dúvidas que sempre tivemos.
Acima da lei que sempre conhecemos,
em cima do objectivo, do ideal...
de tudo que sempre desdenhamos,
Será erguido um novo altar
e erigido um novo horizonte.
Celebraremos novas orações
e acreditaremos num novo divino,
num novo messias...
Um messias que questiona!
Um messias que empreende!
Um messias que evolui!
Um messias homem e mulher
criança, velho ou moribundo.
Lutaremos por um novo céu,
Almejaremos um paraíso paralelo
com a redenção dos nossos velhos pecados.
Que está aqui e além,
que serve para isto e aquilo
e que abunda por toda a parte.
O novo corpo de deus sairá da terra,
emergirá dos oceanos e rios
para, por fim, dar sustento
a todas as formas de vida
que moldam o futuro,
agradecidos pela experiência derradeira...
de usufruir da terra e dos seus rebentos.
Por direito!
Zéphyro 15-02-2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Nómada
Preciso de algo espiritual.
Festejar a primavera, saudar a lua nova,
preciso de algures onde exista noite e dia.
Mostra-me as comemorações da tua tribo!
Que danças dançam e em redor de que fogueiras.
Mostra-me as vossas tradições, ensina-mas!
Que costumes, que vestimentas, o bem e o mal.
Fala-me dos deuses a quem rogam!
Dos refúgios e santuários,
das orações e sacrifícios,
dos primogénitos, das virgens e dos pecadores.
Preciso de algo novo, esquecido no tempo.
De novas lutas, contra inimigos distantes.
De novas lavras em terra desconhecida.
De novos amores e novas empatias.
Sem ódio, raiva, inveja, ganância...
sem civilização, sem civismo, sem democracia.
Mostra-me o ancião da tua tribo!
O alguém supremo, o sábio.
Mestre que dita vontades e contos antigos.
O pêndulo que condena o tempo
e nos diz quando o sol se põe.
Leva-me! Faz-me um dos teus!
Um caçador de sonhos, na terra da realidade,
na terra dos crédulos e dos pagãos.
Mostra-me um mundo com receios!
Um céu imenso e pungente,
que a qualquer momento nos pode cair em cima.
Quero, também eu, montar a cavalo sem arreios.
Em pêlo, liberto, com o vento nos cabelos.
Com o sal do ar a secar-me os lábios,
e o sol a bronzear-me as rugas.
Leva-me para a tua vila, para a tua tenda.
Quero também ser pobre, sem lei.
Quero também ser Homem, ser livre!
Mostra-me as procissões pela chuva,
as cerimónias aos deuses da caça.
Preciso do alimento que a natureza me destinar.
Preciso de ser igual a todos os outros,
partilhar o meu quinhão com os mil irmãos e irmãs
a quem este tecto sagrado me une.
Dividir pesadelos e desventuras,
untar em mim as feridas alheias.
Quero falar esse dialecto!
Sem insulto, ironia e sarcasmo.
Esse linguajar perfeito,
onde não há vocábulos ou regras.
Só arte e espirito.
Da-me esse teu mundo!
Deixa que me dê a ele!
E ser um só mais, um só muito.
Eterno, agradecido e sagrado.
Zéphyro 07-02-2013
Festejar a primavera, saudar a lua nova,
preciso de algures onde exista noite e dia.
Mostra-me as comemorações da tua tribo!
Que danças dançam e em redor de que fogueiras.
Mostra-me as vossas tradições, ensina-mas!
Que costumes, que vestimentas, o bem e o mal.
Fala-me dos deuses a quem rogam!
Dos refúgios e santuários,
das orações e sacrifícios,
dos primogénitos, das virgens e dos pecadores.
Preciso de algo novo, esquecido no tempo.
De novas lutas, contra inimigos distantes.
De novas lavras em terra desconhecida.
De novos amores e novas empatias.
Sem ódio, raiva, inveja, ganância...
sem civilização, sem civismo, sem democracia.
Mostra-me o ancião da tua tribo!
O alguém supremo, o sábio.
Mestre que dita vontades e contos antigos.
O pêndulo que condena o tempo
e nos diz quando o sol se põe.
Leva-me! Faz-me um dos teus!
Um caçador de sonhos, na terra da realidade,
na terra dos crédulos e dos pagãos.
Mostra-me um mundo com receios!
Um céu imenso e pungente,
que a qualquer momento nos pode cair em cima.
Quero, também eu, montar a cavalo sem arreios.
Em pêlo, liberto, com o vento nos cabelos.
Com o sal do ar a secar-me os lábios,
e o sol a bronzear-me as rugas.
Leva-me para a tua vila, para a tua tenda.
Quero também ser pobre, sem lei.
Quero também ser Homem, ser livre!
Mostra-me as procissões pela chuva,
as cerimónias aos deuses da caça.
Preciso do alimento que a natureza me destinar.
Preciso de ser igual a todos os outros,
partilhar o meu quinhão com os mil irmãos e irmãs
a quem este tecto sagrado me une.
Dividir pesadelos e desventuras,
untar em mim as feridas alheias.
Quero falar esse dialecto!
Sem insulto, ironia e sarcasmo.
Esse linguajar perfeito,
onde não há vocábulos ou regras.
Só arte e espirito.
Da-me esse teu mundo!
Deixa que me dê a ele!
E ser um só mais, um só muito.
Eterno, agradecido e sagrado.
Zéphyro 07-02-2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Quero-te a carne!
Morte ao romântismo que nos tira o ímpeto!
O romântico sonha escondido, sozinho.
Deseja, em vão, meros sorrisos,
mataria por um toque imaculado... na mão apenas.
O torpe, sente a culpa por querer.
Querer é sujo, impuro... digno dos desalmados.
Dos promíscuos.
Querer é de muitos, querer é de todos.
O amor... é de sentido único.
Quem ama não quer, só respeita.
Sem despeito.
Quem ama está a solo, distante...
Como Platão, esquivo e indisponível.
Morte ao romântismo que manda sem demanda!
Eu, quero-te a carne.
Quero-a a cada esquina,a cada seio desnudo.
Sinto-lhe o gosto em cada decote,
em cada sorriso de soslaio,
em cada movimento de anca.
Eu, só te quero a carne...
A carne que me cruza aqui e além
e que desdenho e cobiço
exaltado pela soberba.
A carne que passa, que vai e vem...
que é sempre a tua.
Já te vi em toda a parte.
Já te vi alta, pomposa e bruna,
curvilínea, vaidosa e loira.
Estás em cada desejo, em cada ensejo.
Nas minhas noites molhadas, na minha roupa
e no meu suor...
Tudo és tu, és omnipresente.
Estás onde eu estiver, persegues-me.
Morte ao amor que não viaja, deambula!
Viajar é ir, de facto, é ter destino.
O amor vai pairando, esvoaçando.
Demasiado delicado para ser objectivo,
para almejar chegar a parte alguma.
Eu não carrego em mim delicadeza.
Quero! E quem quer é tenaz.
Os que querem comem com fome, lambuzam-se.
Esperam sempre por mais, gulosos e pecadores.
O amor debica, petisca e sacia-se.
Sem abusos, sem exageros, sem apetite.
Não fala com a boca cheia,
nem apoia os cotovelos na mesa,
o amor tem maneiras!
Morte a ele, que é decente!
A carne é rude.
Não tem diploma ou nobreza aquele que quer.
Toca porque sim, porque precisa
e toma onde e quando quiser!
Zéphyro 04-02-2013
O romântico sonha escondido, sozinho.
Deseja, em vão, meros sorrisos,
mataria por um toque imaculado... na mão apenas.
O torpe, sente a culpa por querer.
Querer é sujo, impuro... digno dos desalmados.
Dos promíscuos.
Querer é de muitos, querer é de todos.
O amor... é de sentido único.
Quem ama não quer, só respeita.
Sem despeito.
Quem ama está a solo, distante...
Como Platão, esquivo e indisponível.
Morte ao romântismo que manda sem demanda!
Eu, quero-te a carne.
Quero-a a cada esquina,a cada seio desnudo.
Sinto-lhe o gosto em cada decote,
em cada sorriso de soslaio,
em cada movimento de anca.
Eu, só te quero a carne...
A carne que me cruza aqui e além
e que desdenho e cobiço
exaltado pela soberba.
A carne que passa, que vai e vem...
que é sempre a tua.
Já te vi em toda a parte.
Já te vi alta, pomposa e bruna,
curvilínea, vaidosa e loira.
Estás em cada desejo, em cada ensejo.
Nas minhas noites molhadas, na minha roupa
e no meu suor...
Tudo és tu, és omnipresente.
Estás onde eu estiver, persegues-me.
Morte ao amor que não viaja, deambula!
Viajar é ir, de facto, é ter destino.
O amor vai pairando, esvoaçando.
Demasiado delicado para ser objectivo,
para almejar chegar a parte alguma.
Eu não carrego em mim delicadeza.
Quero! E quem quer é tenaz.
Os que querem comem com fome, lambuzam-se.
Esperam sempre por mais, gulosos e pecadores.
O amor debica, petisca e sacia-se.
Sem abusos, sem exageros, sem apetite.
Não fala com a boca cheia,
nem apoia os cotovelos na mesa,
o amor tem maneiras!
Morte a ele, que é decente!
A carne é rude.
Não tem diploma ou nobreza aquele que quer.
Toca porque sim, porque precisa
e toma onde e quando quiser!
Zéphyro 04-02-2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Diálogo entre terra e vento
Tu, que deambulas em constante mania, como que inebriado pelo álcool?
Vento - Como ousas vil barranco desabado? Que sabes tu do além por onde sopro?
Tu quedas-te, impávida e, se te mexes, ordeno-to eu. Se esvoaças pelos céus, sou eu quem te carrego. Se te sonhas e transcendes, é só porque apago eu as pegadas com que te desprezam. Tu, encerras a vida, enterras os mortos. És o começo sem nunca deixares de ser o fim! Se sobrevives, se emerges após cada dilúvio é porque, mesmo em constante mania só eu sei como precisas de um abraço.
Terra - Um abraço que te não peço! Uma salvação da qual quero distância. É todo o orgulho que sei. Se a perdição me espera então que seja perdição. Assim como assim, não alcanço eu tal profundidade, não dedico eu à arte de pensar nem um décimo dos meus vales. Sou porque todos o são. Porque sim. Vou para onde todos forem, quando quiserem partir.
Vento - Não me peças então a mim terra, que te acompanhe à decadência. Que te leve pela mão ao jardim onde jazem todas as fantasias, todos os sonhos, todos os desejos que, um dia, moveram o cosmos. Não esperes que esteja lá contigo, no instante derradeiro. Não procures a empatia do meu olhar na amálgama de sombras que se vêm na penumbra.
Essa é uma viagem que tens de fazer sozinha...tu e todas as almas que cederam ao medo de te não ter debaixo dos pés.
Zéphyro 01/02/2013
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