segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Quero-te a carne!

Morte ao romântismo que nos tira o ímpeto!
O romântico sonha escondido, sozinho.
Deseja, em vão, meros sorrisos,
mataria por um toque imaculado... na mão apenas.
O torpe, sente a culpa por querer.
Querer é sujo, impuro... digno dos desalmados.
Dos promíscuos.
Querer é de muitos, querer é de todos.
O amor... é de sentido único.
Quem ama não quer, só respeita.
Sem despeito.
Quem ama está a solo, distante...
Como Platão, esquivo e indisponível.
Morte ao romântismo que manda sem demanda!
Eu, quero-te a carne.
Quero-a a cada esquina,a cada seio desnudo.
Sinto-lhe o gosto em cada decote,
em cada sorriso de soslaio,
em cada movimento de anca.
Eu, só te quero a carne...
A carne que me cruza aqui e além
e que desdenho e cobiço
exaltado pela soberba.
A carne que passa, que vai e vem...
que é sempre a tua.
Já te vi em toda a parte.
Já te vi alta, pomposa e bruna,
curvilínea, vaidosa e loira.
Estás em cada desejo, em cada ensejo.
Nas minhas noites molhadas, na minha roupa
e no meu suor...
Tudo és tu, és omnipresente.
Estás onde eu estiver, persegues-me.
Morte ao amor que não viaja, deambula!
Viajar é ir, de facto, é ter destino.
O amor vai pairando, esvoaçando.
Demasiado delicado para ser objectivo,
para almejar chegar a parte alguma.
Eu não carrego em mim delicadeza.
Quero! E quem quer é tenaz.
Os que querem comem com fome, lambuzam-se.
Esperam sempre por mais, gulosos e pecadores.
O amor debica, petisca e sacia-se.
Sem abusos, sem exageros, sem apetite.
Não fala com a boca cheia,
nem apoia os cotovelos na mesa,
o amor tem maneiras!
Morte a ele, que é decente!
A carne é rude.
Não tem diploma ou nobreza aquele que quer.
Toca porque sim, porque precisa
e toma onde e quando quiser!

Zéphyro  04-02-2013

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