Tu, que deambulas em constante mania, como que inebriado pelo álcool?
Vento - Como ousas vil barranco desabado? Que sabes tu do além por onde sopro?
Tu quedas-te, impávida e, se te mexes, ordeno-to eu. Se esvoaças pelos céus, sou eu quem te carrego. Se te sonhas e transcendes, é só porque apago eu as pegadas com que te desprezam. Tu, encerras a vida, enterras os mortos. És o começo sem nunca deixares de ser o fim! Se sobrevives, se emerges após cada dilúvio é porque, mesmo em constante mania só eu sei como precisas de um abraço.
Terra - Um abraço que te não peço! Uma salvação da qual quero distância. É todo o orgulho que sei. Se a perdição me espera então que seja perdição. Assim como assim, não alcanço eu tal profundidade, não dedico eu à arte de pensar nem um décimo dos meus vales. Sou porque todos o são. Porque sim. Vou para onde todos forem, quando quiserem partir.
Vento - Não me peças então a mim terra, que te acompanhe à decadência. Que te leve pela mão ao jardim onde jazem todas as fantasias, todos os sonhos, todos os desejos que, um dia, moveram o cosmos. Não esperes que esteja lá contigo, no instante derradeiro. Não procures a empatia do meu olhar na amálgama de sombras que se vêm na penumbra.
Essa é uma viagem que tens de fazer sozinha...tu e todas as almas que cederam ao medo de te não ter debaixo dos pés.
Zéphyro 01/02/2013
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