Quando te escrevo poemas,
ou é para te exaltar e cantar o meu amor,
ou para gritar e desabafar a minha dor
e afugentar de ti os meus problemas.
Sempre que te falo, falo em binómios
e espero sempre que espantes os meus demónios
ou que sejas a morte que me traz a calma.
Sempre que te escrevo, são os meus neurónios,
obtusos e pouco dados a matrimónios,
a desnudar-te as chagas da minha alma.
Quando te escrevo poemas,
geralmente espero ajuda.
Geralmente, é um deus me acuda
que almeja as palavras mais amenas.
Sempre que te falo, falo do fundo.
Do mais escuro de mim, do mais imundo
que os meus sentimentos podem sentir.
Quando te escrevo, dura apenas um segundo
até me deixares ao desabrigo, como um vagabundo
que entregou a vitória e deixou de competir.
Quando te escrevo poemas,
posso ser puro e ser casto.
Posso ser mais brilhante que um astro,
mas geralmente, sou eu apenas.
Sempre que te falo, sonho que escutas...
E sonho que entendes e que acabaram as lutas
e que podemos viver, simplesmente.
Mas se te escrevo palavras astutas,
não me descartes depois do prazer, como se faz às putas...
Senão tenho de recomeçar e escrever tudo novamente.
Zéphyro 06-01-2019
domingo, 6 de janeiro de 2019
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Ser é tramado
A depressão é um estado
em que a razão jaz num corpo inanimado
que não sabe caminhar como os demais.
E o que quer que mova é estar parado...
E uma multidão é estar isolado...
E os dias morrem todos iguais.
A motivação é uma longa espera,
uma árvore nua em plena primavera,
que não sabe dar-se à luz solar.
E a alegria... quem nos dera...
E não mais desta agonia que parece uma fera
e não nos deixa ressuscitar.
Cada linha do horizonte é um novelo
que faz de cada sonho um pesadelo
e de todo o sono faz letargia.
E o abismo seduz com o seu apelo.
E o nada... já estou a vivê-lo.
E a paz é uma mera fantasia.
O Eu, é só mais um além do resto.
E o meu já é tão mau que até detesto.
Só me resta o escuro do meu ego apagado.
Um dia talvez, nem marasmo nem deserto!
E tudo o que está longe, fique talvez mais perto!
E que eu consiga não ser, pois ser é tramado.
Zéphyro 04-01-2019
em que a razão jaz num corpo inanimado
que não sabe caminhar como os demais.
E o que quer que mova é estar parado...
E uma multidão é estar isolado...
E os dias morrem todos iguais.
A motivação é uma longa espera,
uma árvore nua em plena primavera,
que não sabe dar-se à luz solar.
E a alegria... quem nos dera...
E não mais desta agonia que parece uma fera
e não nos deixa ressuscitar.
Cada linha do horizonte é um novelo
que faz de cada sonho um pesadelo
e de todo o sono faz letargia.
E o abismo seduz com o seu apelo.
E o nada... já estou a vivê-lo.
E a paz é uma mera fantasia.
O Eu, é só mais um além do resto.
E o meu já é tão mau que até detesto.
Só me resta o escuro do meu ego apagado.
Um dia talvez, nem marasmo nem deserto!
E tudo o que está longe, fique talvez mais perto!
E que eu consiga não ser, pois ser é tramado.
Zéphyro 04-01-2019
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