Trinta e oito anos...
Bem mais que os oito, onde os danos
não passavam de joelhos esfolados.
Bem mais que os oito, onde os danos
não passavam de joelhos esfolados.
Mais vinte que os dezoito, tão insanos,
tão cheios de sonhos, tão cheios de planos,
como de dúvidas de morte e amores assolapados.
tão cheios de sonhos, tão cheios de planos,
como de dúvidas de morte e amores assolapados.
Mas, palpita-me, metade da vida já se foi...
E continuo incógnito, continuo sem ser herói,
que nem tudo me trouxe a experiência.
E continuo incógnito, continuo sem ser herói,
que nem tudo me trouxe a experiência.
Por mais que aguente tudo o que dói
e que escreva e ame como quem destrói,
nada me trará de volta a inocência.
e que escreva e ame como quem destrói,
nada me trará de volta a inocência.
Quando o ano dois mil soava a eternidade
e eu, só era o que me dava a minha cidade
e só amava o que tinha como certo.
e eu, só era o que me dava a minha cidade
e só amava o que tinha como certo.
Quando fazia de conta que contava a idade
e fingia saber o que significava a verdade
e pensava que todo o mundo era mais perto.
e fingia saber o que significava a verdade
e pensava que todo o mundo era mais perto.
Agora sei que dois mil ficou para a história,
sei que já tive bem melhor memória
e que só é certo que esqueço toda a gente.
sei que já tive bem melhor memória
e que só é certo que esqueço toda a gente.
Conto todos os dias, de forma inglória,
sei que a verdade é uma entidade aleatória
e que o mundo é cada vez mais indiferente.
sei que a verdade é uma entidade aleatória
e que o mundo é cada vez mais indiferente.
Mas são trinta e oito anos...
E os meus sonhos, são como os ciganos,
isolados da sociedade, a praguejar de feira em feira.
isolados da sociedade, a praguejar de feira em feira.
Sonhos de um poeta, que quer salvar todos os humanos,
que prega aos quatro ventos e se insurge contra os tiranos,
através do amor e da palavra verdadeira.
que prega aos quatro ventos e se insurge contra os tiranos,
através do amor e da palavra verdadeira.
A realidade, é que me belisca o tempo e me acorda do sonho,
me faz ver que não tenho, como ingenuamente suponho,
nenhuma causa divina a cumprir na vida.
me faz ver que não tenho, como ingenuamente suponho,
nenhuma causa divina a cumprir na vida.
E, assim sendo eu um quase velho tristonho,
digo o que penso e não me envergonho,
se o caminho que levo é beco sem saída.
digo o que penso e não me envergonho,
se o caminho que levo é beco sem saída.
Nunca matei a fome a nenhum petiz.
Nunca fiz nenhum moribundo partir feliz
e nunca dei visão a nenhum cego.
Nunca fiz nenhum moribundo partir feliz
e nunca dei visão a nenhum cego.
Nunca fui o messias, mas bem que quis,
quase fui crucificado e só por um triz
não fui a minha própria cruz e os meus próprios pregos.
quase fui crucificado e só por um triz
não fui a minha própria cruz e os meus próprios pregos.
Conquistei o meu amor mais assolapado.
E demos fruto, como pomar ensolarado.
Sou poeta de uma só musa! E sou condenado voluntário!
E demos fruto, como pomar ensolarado.
Sou poeta de uma só musa! E sou condenado voluntário!
Para ela os meus dias, sempre ocupados.
Para ela os meus desejos, sempre alucinados
e para mim, que seja ela a minha prenda de aniversário.
Para ela os meus desejos, sempre alucinados
e para mim, que seja ela a minha prenda de aniversário.
Sem embrulhos nem ostentação de nulidade,
só a beleza terna, que vem com a idade
e a eternidade do seu sorriso puro.
só a beleza terna, que vem com a idade
e a eternidade do seu sorriso puro.
Se o passado foi num ápice, como uma tarde,
que esteja para vir da vida a melhor metade
e que o meu presente seja sempre o seu futuro.
que esteja para vir da vida a melhor metade
e que o meu presente seja sempre o seu futuro.
Zéphyro 20-04-2018