segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Cinquenta e um

Não há pé de feijão
que me leve ao paraíso
para onde te escapuliste.
Posso levantar os braços
e mover mundos sozinho,
nada tirará a tua imagem
daquela página de obituários.
Mãe amada, filha querida.
Mão pesada, vida perdida.
Não há bailéu no mundo
que me erga aos píncaros
para onde te elevaste.
Posso escalar qualquer parede
e derrubar qualquer barreira.
Nunca o teu nome
irá apagar-se daquela cruz
onde agora jaz pintado.
Não existe asa solta
ou tapete mágico,
que me guie ao apogeu
onde se refugia, agora,
o teu rosto de criança.
Posso rezar, bradar, partir.
Posso parar, correr, fugir.
Nenhuma águia em chamas
se erguerá das cinzas
do tempo que já queimaste.
Nenhum mausoléu aberto
me dará passagem
para a tua nova morada.
Cinquenta e um...
Apenas mais dez que quarenta e um.
Cinquenta e um...
apenas mais um ano em cima
da última vez que te contei a falta.
Não há escada no mundo
que te resgate dessa janela,
ou que me leve junto a ela
para te poder visitar.


Zéphyro  01-12-2014

Sem comentários:

Enviar um comentário