E corre paralelo fora a maralha,
seguindo de longe a candeia
que alumia o caminho para lá...
Sabe-se lá para onde.
Ensurdecedor o barulho dos cascos,
furiosos como os olhos cheios de ossos,
como os olhos cheios de nada e fome.
Vira o disco.
Nenhum leão se atira sem medo
para o interior do arco em chamas.
Anos de instinto e evolução
gritam-lhe ao ouvido que o fogo,
todos sabem, não é flor que se cheire.
Apenas o agudo silvo do chicote
brandido pela mão hábil do domador,
grita mais alto que as vísceras
que se revolvem a cada esquina do caminho.
Corre calçada fora o marasmo dos bichos,
seguindo o apelo de quem lidera o grupo,
talvez mais amedrontado e mal nutrido
que todos os outros, meros seguidores.
Vira o disco.
Nenhum petiz entrega sem medo,
o braço ás agulhas da saúde.
Anos de dor e choro convulso,
gritam-lhe ao ouvido que o sangue,
todos sabem, não é bonito de se ver.
Apenas o calor do sussurro no ouvido
encostado á benévola boca materna,
se ergue mais alto que a pedra
que se solta do solo à passagem
revoltosa e caótica da maralha.
Vira o disco.
Todos encovados, todos desolhados.
Todos mutantes, todos motivados,
pelo apetite que a corrida lhes dá.
Todos sujos, todos pasmados.
Todos jovens e imberbes ainda,
enfeitiçados pela voz de megera
que lhes chama pelo megafone.
Zéphyro 11-12-2014
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