quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Os primos catita e a prosa dos loucos

Durou mais de quinze horas
e já não há memórias
de uma assembleia assim.
Um dos primos trouxe rosas
o outro era só prosas
e pózinhos de perlimpimpim.

Se fosse tempo dos czares,
dos bolcheviques e militares,
certo o desterro na sibéria.
Mas para azar dos azares
este povo, dono dos mares
nunca gostou de gente séria.

Tolstoi deu em agricultor,
e o Relvas fez-se doutor
mesmo sem estudar lição.
Ambos letrados sim senhor,
mas o primeiro, o escritor,
deixou as letras na prisão.

E os dois primos bem catitas,
agora mina sem pepitas,
prosearam para inglês ver.
Se as verdades foram ditas,
foi em letras pequenitas
e ninguém as conseguiu ler.

Louco eu sentado no chão,
bem colado na televisão
para saber quem é culpado.
No fim nenhum perdeu razão,
ou nunca a teve então
e cearam ambos na tasca do lado.

Aos primos, só lhes faltou o pranto,
mas para isso, remédio santo,
que haverá nova oportunidade.
Houve alguém que gostou tanto,
por obra do espirito santo,
e seja feita a sua vontade.

Nova prosa e nova sessão,
ouvi que até as tias vão,
nem que seja para achincalhar.
Eu grito alto e a bom som
- Agarra que é ladrão!
mas ninguém quer agarrar.

Zéphyro  11-12-2014

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