Do alto de um palanque
diz o sacerdote os seus credos.
E o povo, já sem medos,
estanca as feridas com o psitacismo,
a água benta e o algodão.
Campos de malmequeres,
gratos pelas palavras da homilia,
vendo as suas pétalas sorteadas.
Bem me quer, mal me quer,
muito, pouco, nada.
Da nave ensolarada pelos vitrais,
dita o dominicano as lacunas.
E a assembleia, leve como plumas,
exortada pelas tábuas do pecado,
ajoelha-se nos milhos do arrependimento.
Dentes que saltam boca fora
a golpes de alicate sem sangue.
Bicos de papagaio nos ossos,
descalcificados pela ausência de leite
no seio da dantesca mãe europa.
Os cônjuges, nascem no púlpito
onde o profeta, com requintes de louva-a-deus,
os devora, começando pela cabeça.
O sermão veio faminto nesta celebração.
E o povo, já só alma e coração,
agita no alto as mãos vazias
de pratas e orgulhos balofos.
Zéphyro 05-12-2014
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