quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sobre o amor que não sei

Só sei amar com pompa e circunstância.
Sou de picos, altos e baixos,
extremos opostos, sexo, ignorância,
o mais macho de entre os machos.

Só sei amar com raiva e fervor
e odiar com carinho singelo
o que te dou, que é sempre o melhor,
a roupa nova e o novo cabelo.

Mereces o melhor de mim, bem sei,
o dobro até de tudo o que te dei
e as mãos dadas no aconchego.
Que ao menos o amor houvesse lei
e me ensinasse o que sempre descurei,
e não deixa que tenhas sossego.

Sou aquém das tuas fantasias de menina,
onde me vias chegar a cavalo e de armadura
que largava de um pulo para subir torre acima
e libertar-te dessa tua clausura.

Valho menos que lixo, não tenho dote
ou maneiras lisonjeiras de cavalheiro.
Não paro de olhar, confesso, o teu decote
e raramente permito que entres primeiro.

Sou demasiado grotesco e tu delicada
que humilde, não pedes de mim mais nada
do que a mediocridade que te dou,
sempre com uma mão fechada.
Um dia desistes de mim, desanimada,
e jamais saberei o que sou.
Se uma vida em debandada
ou um alguém que nunca chegou.


Zéphyro  10-12-2014

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