Sei de um príncipe da cidade,
que traz ufania nos olhos
ligeiramente oblíquos e secos
de lágrimas e afectos.
Dobra com jactância cada esquina
da polis e recebe vénias
a cada umbral do caminho.
Sei de um nobre a pulso,
que passeia pelo braço a soberba
e vai com ela a parques
e a jantares à luz de vela.
Partilha com ela soirées de cinema
onde se vangloria com regozijo
do próprio protagonismo nas fitas,
que correm ininterruptas e orgulhosas.
Sei de um contador de histórias,
que tem o mundo como auditório
e uma leve ruga no sorriso de bazófia.
Fala na terceira pessoa,
e respeita-se como um deus
que merece ser venerado,
que precisa de ser venerado.
Sei de um príncipe na cidade,
pequena demais para os seus sonhos.
Dobra a esquinas de peito feito
e todo ele nariz erguido
de distinção e dignidade,
parte em rumo ao sol que se recolhe
nos confins esfumados
da orla do seu império abandonado.
Zéphyro 26-12-2014
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