A vida lá fora pressiona e pesa
e arrasta na lama os teus dias.
Besegol, tudo dispersa.
Quando vês, tu e a roda
e nenhum flagelo para debater.
As gentes da rua exigem
de ti muito mais que a vergonha
e falas de figurante,
monossílabos e obrigados.
Besegol, tudo oferece.
Quando olhas, tu e o mar
de gente em teu redor
a beber-te do discurso.
É uma estafa a catadupa
de pensamentos soltos
e desordenados que te assombram
e ensombram a existência.
Besegol, tudo clarifica.
Quando pensas, já não reténs
os pensamentos, que se vão,
num ápice, para o nada
de onde também chegaram.
As cidades têm casas,
nessas casas vive gente,
e a gente das casas sufoca
e ocupa todo o espaço.
Besegol, tudo conquista.
Quando passas, já só vais tu,
sozinho. Sem amigos ou companhia
que não a loucura que te fala,
obscuramente por cima do ombro.
A vida lá fora tem muita vista
e cansa os olhos de tanta beleza.
Besegol, tudo esconde.
Quando olhas, tu e o breu,
que te guia de mão nas costas.
Zéphyro 08-12-2014
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