Círios e lírios,
levas a correr, enrolados
debaixo dos braços negros
do fato de domingo.
A caixa de fósforos,
chocalha no bolso do casaco
que a família espera já,
ás portas do túmulo da avó.
Quase uma feira para trás,
sem carrosséis, que o respeito,
cinge a festa às roulottes
e às flores e velas de cera
que arderam já em anos passados.
Quase uma feira à frente,
de tios e primos
e futebóis da noite passada.
Sem risadas, que o respeito,
cinge o convívio aos cigarros
e ás conversas sussurradas
que tanto puxam uma cerveja.
Círios e lírios
e já castanha no assador
que horas de pé a velar
merecem um abraço do outono
à saída escura das horas.
Círios e lírios
e o tio Zé da Nanda,
que já não vias há tanto tempo
que Penacova ainda é longe.
O céu já ameaça chuva
se bem que está claro ainda.
Sais em vénias e acenos
sem palmadas nas costas, que o respeito,
cinge o conforto aos pés apoiados nas cruzes
e às crianças sentadas,
na parte já limpa e enfeitada das campas.
Círios e lírios para trás
e até para o ano,
que já sais em busca de uma bifana.
Zéphyro 02-11-2014
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