Na europa vendemos de tudo.
Há quem venda os princípios,
quem venda as suas crenças,
quem ponha a mãe em saldo
e quem promova dívida pública
no derradeiro conto do vigário.
Somos consumistas exasperados
e até esterco alheio compramos
se houver quem o queira vender.
Em montras vermelhas, mais a norte,
espraiam-se catraias de aluguer
e carne em formato tubular
dentro de um pão esguio,
anda de carripana em carripana
servindo-se com um ou com todos os molhos.
O oriente já não vende tanto...
Apenas uns quantos espiões informáticos,
a mais suja comida de rua,
carregada a empurrão em precárias carrelas,
outros tantos passeios de riquexó
e um sem número de fantasias
que já não temos coragem para importar.
Melhor, só lá para as américas
onde se vende para fora
o que não se quer lá dentro.
O negócio é acérrimo
e o preço da guerra está cada vez mais alto.
Ouvi até, que já a compram a prestações,
como os smartphones,
com taxa de juro altíssima
a pagar por quem não padecer
com o que sobrar dos destroços
que já foram casas espatifadas por bombas.
Os do novo continente sim, são espertos,
passando de mão em mão a ignorância
até que se livram dela
que partiu para a europa
à boleia do audiovisual
que há muito perdeu o áudio.
Vigarizam-nos com os seus feriados,
com os seus heróis que nem conhecemos
mas que idolatramos com igual fervor
enquanto talhamos uma abóbora
para pendurar á janela de casa.
Doçura ou travessura?
Somos tão doces nós os europeus
que criamos o mundo à nossa imagem
só para o podermos comprar mais tarde,
a preço de revenda.
Pobres velhinhos do mundo
com as despensas cheias de tralha...
e rosários que não são nossos.
Zéphyro 11-11-2014
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