sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Noite santa, noite calada

As fitas e as bolas
e as séries psicadélicas
de luzes coloridas,
já tinhas tu penduradas
no pinheiro de ramos falsos.
Mas o natal, não chegou a chegar.
Os presentes embrulhados
em lustro e fitas magenta
mas ninguém para os abrir,
que o natal não apareceu
e por isso ninguém mais veio.
Erva seca do jardim
e musgos verdes arrancados
das paredes ensombradas do casebre.
Fiel imagem da manjedoura,
mas o menino, não veio deitar-se nas palhas
que a virgem não deu à luz
e acabou-se a monarquia.
À falta de melhor,
o cavalo da barbie
enfiado no estábulo
a fazer a vez de burro,
mas ninguém para aquecer
com o bafo dos animais.
Veio o dia sem romaria
e tu especada tão triste
sem orações para ler à mesa,
que já nem família tens
para partilhar a consoada.
Não há cânticos de natal
sem crianças para os cantar
alegremente de porta em porta,
agasalhados por cachecóis.
Só os velhos não chegam.
Já nem úteis são
se não há agasalhos para tecer.
Tudo pronto menos tu
e o natal que se acabou,
de pé contigo à mesa,
de velas apagadas e azevinhos.

Zéphyro  14-11-2014

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