Atirei ao poço a moeda
dos desejos todos que trago em mim.
Como os desejos, foi ela em queda,
nunca antes atirada assim.
Olhei no fundo das águas o reflexo
da sobeja que julgava ser o meu.
Era o futuro, impávido e perplexo
por tudo que jamais me aconteceu.
Bateu na superfície lisa da água
a fortuna toda de que preciso,
tremeu o meu rosto no choque da mágoa
e tombei junto, como um narciso.
Espero até hoje pela sorte taluda
ou que me devolva o poço o valor do dinheiro.
Mas nada acontece, alguém me acuda
que fiz de um poço o meu mealheiro.
Zéphyro 25-02-2015
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