Há quem uses frondosos cocares
de penas e plumas coloridas.
Talvez para mascarar rostos,
de feições menos conseguidas
e almas a transbordar de nada
e insanidade afogueada.
Há quem use penas
e apenas tenha as penas,
porque por dentro,
até faz pena de tanta solidão
e tanto oco que se tem como fartura.
Mas e se, um dia, as penas vão,
como as pessoas que já foram nossas,
como aqueles a quem algures, amamos?
Nesse tempo, a solidão,
era ainda um mal que lamentávamos nos outros.
Nesse tempo, as penas,
era só embustes, que desdenhávamos... nos outros!
Há quem use penas como embuste,
para ocultar o desamor pela vida
e a falta de acutilância das armas,
que carregam para as batalhas.
Batalhas enormes, contra gladiadores,
que se escondem amarados no sangue,
que dantes, pulsava bem mais forte,
dentro de um peito, que, sem penas,
ainda tinha coração.
Mas e se um dia acaba a guerra?
Para quê usar penas se não há já
inimigos que intimidar,
nem pátrias para defender,
ou sequer donzelas, por cuja honra,
morrer ou matar?
Nessa altura, mais vale despojar o corpo,
de tudo aquilo que nunca foi nosso!
Mais vale viver em paz,
porque a guerra nunca existiu.
Foi apenas uma mera miragem,
que criamos na ânsia de justificar
o uso abusivo das penas, que, no fundo,
usamos apenas porque nos ficam bem.
Zéphyro 19-09-2015
Sem comentários:
Enviar um comentário