Desculpa se não notei ontem,
quando chegaste mais tarde a casa,
que tinhas ido ao cabeleireiro,
pôr-te mais bonita para mim.
Eu bem queria mas não vejo,
porque me perco demasiadas vezes
a cogitar o mundo e como salva-lo!
quando chegaste mais tarde a casa,
que tinhas ido ao cabeleireiro,
pôr-te mais bonita para mim.
Eu bem queria mas não vejo,
porque me perco demasiadas vezes
a cogitar o mundo e como salva-lo!
E não vi quando estreaste
o novo vestido que compraste,
especialmente para mim.
Não reparei como te assentava bem
e como marcava a tua cintura,
como realçava a tua anca
e mostrava, sedutoramente, as tuas pernas.
Eu bem tentei mas acabei
por ficar aquém do sulco da escada
de onde melhor poderia observar-te
e dar-te a corte que mereces.
o novo vestido que compraste,
especialmente para mim.
Não reparei como te assentava bem
e como marcava a tua cintura,
como realçava a tua anca
e mostrava, sedutoramente, as tuas pernas.
Eu bem tentei mas acabei
por ficar aquém do sulco da escada
de onde melhor poderia observar-te
e dar-te a corte que mereces.
Desculpa também, amor,
se te não dei ouvidos quando falavas,
do que quer que falasses tu.
Desculpa se perdi o fio à tua meada
e me desaguisei com as tuas novidades.
Penso que devo ter ficado surdo,
a ouvir o interior de mim
e a minha voz cavernosa de profeta.
Sei que querias contar-me tudo,
sobre o tudo que vives por mim.
Sei que era importante, pelo menos
para ti e para os teus desassossegos.
se te não dei ouvidos quando falavas,
do que quer que falasses tu.
Desculpa se perdi o fio à tua meada
e me desaguisei com as tuas novidades.
Penso que devo ter ficado surdo,
a ouvir o interior de mim
e a minha voz cavernosa de profeta.
Sei que querias contar-me tudo,
sobre o tudo que vives por mim.
Sei que era importante, pelo menos
para ti e para os teus desassossegos.
Mas tenho o desassossego em mim!
E a fome do mundo para matar,
as guerras do mundo para desarmar,
os criminosos do mundo para perseguir...
Raramente me sobra tempo.
Desculpa, amor, se não olhei para ti,
mas devo ter ficado possesso
pelo ponto negro de sombra
que congemina contra a humanidade,
em conjunto com aquela parede branca.
Zéphyro 08-09-2015
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