sábado, 26 de setembro de 2015

E se todos os refugiados fossem génios?

E se todos os refugiados fossem génios?
Se tivessem já louros e prémios,
em áreas diversas do desporto e da cultura,
que será que aconteceria?
Se em países fronteiriços,
como por exemplo a Hungria,
deixassem de ser vistos como mestiços,
que tentam arrombar, para conspurcar,
as pacíficas metropoles europeias.

Como seria então?
Se todos os refugiados tivessem ideias
claras sobre a fisica quântica,
ou fossem astros da semântica,
ou novos Pelés e Maradonas.
Se saltassem barreiras e corressem maratonas
ou tivessem ganho em crianças,
as olimpíadas da matemática,
ou dominassem qualquer temática
sobre políticas e economias futéis.
Como seria então?
Seriam então os refugiados úteis?

Interrogo-me se aquele menino
e o seu desenho inocente de criança,
não serviriam de fiança,
para abrir-lhe a porta e a vista,
se não trouxesse morte o seu desenho,
mas arte de um consagrado artista.

Indago-me se aquela menina,
que puxa a avó pelo braço,
já ela tão seca e carcomida
que nem para si mesma tem balanço,
não estaria mais gorda e composta,
bafejada pelo ar condicionado fresco,
do seu prórpio automóvel com capota,
se em vez da avó,
trouxesse a rolar pelo chão arenoso,
um barril de petróleo das arábias.

Será que aí, as portas europeias,
todas tão célebres e tão sábias,
abrir-se-iam, mudando de ideias,
tão só porque é sempre bem recebido
aquele que traz a negra energia?

Só porque mais vale quem traga magia
e riqueza em vez de temer pela vida?

Só porque mais vale quem traga valor,
do que quem peça para mostrar o seu com trabalho?

E se todos os refugiados fossem génios,
audazes piratas informáticos
ou até poetas boémios?
Será que os tratávamos ainda como estrangeiros?
Ou será que os veríamos como porquinhos mealheiros?
Uma espécie de hino á universalidade,
onde provaríamos que um génio,
merece sempre a chave da cidade?

Ainda que venha por mal alguém,
será sempre bem vindo desde que deixe algo em troca.
Algo de valor, e não um bando de gente peçonhenta,
que não tem onde cair morta.
Nem sequer interessa, se são só velhos,
se são só crianças, nem interessa
se são pessoas, se são boas ou se são más.
Não trazendo a genialidade consigo,
pouco importa se procuram a sorte,
ou se procuram apenas a paz.

E se todos nós fossemos refugiados?
E se os sofás confortáveis, onde estamos sentados,
com as nossas lindas famílias do lado,
explodissem quatro vezes ao dia?

Se as nossas dispensas sempre tão repletas,
de repente, ficassem desertas,
porque bombardearam toda a cidade,
O que será que aconteceria?

Fugiríamos para Gaza,
para Israel ou para a Síria?
Levando uma saca de roupa
e nem toda a gente da família,
que havia já ficado pelo caminho?
Entregues á fome e á sede,
ao calor e ao martírio
que os levou antes da maior idade?

E se lá, fossemos nós refugiados?
E se fossemos barrados na entrada, por não trazermos genialidade?


Zéphyro  26-09-2015

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