quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Adoro gente de mochila às costas

Adoro os estudantes carregados,
de livros e lições e equipamentos de ginástica.
Levam sonhos e ilusões
ainda por desbravar, misturados
com os restos da merenda mal comida
durante o intervalo grande da manhã.
 
Adoro os turistas da baixa,
de sandálias e mapas na mão, que desvendam a cada esquina.
Levam garrafas de água e agasalhos
porque leram algures que, à noite,
a cidade arrefece a olhos vistos
e planeiam não dormir muito na jornada.
 
Adoro o povo que vai à praia,
armado de guarda sóis e para ventos e farneis para um regimento.
Levam vontade e toalhas de banho,
porque qualquer praia do aterro
pode ser ilha do pacífico
se veranearmos com a trupe certa.
 
Adoro os peregrinos e caminhantes,
de cajado e barbas longas pela ausência de sedentarismo.
Levam esperança e resolução,
às costas da fé que sempre lhes dá
um móbil para continuar a caminhar,
apesar dos pouco solidários comparsas de ideologia.
 
Adoro os vagabundos sujos,
que se debatem por dias menos miseráveis juntando.
Levando atrás de si resmas de cartões,
cobertores velhos e latas de conserva.
Carregando consigo as rugas
de todas as vississitudes bafejadas pela vida.

Adoro gente de mochila!
Uma mochila marca sempre uma viagem,
seja ela para onde for.
Marca sempre um sonho de mudança e novidade.
Mostra a todos que apesar de virmos de longe,
queremos ser de qualquer lugar.
 


Zéphyro  10-09-2015

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