segunda-feira, 21 de setembro de 2015

42 segundos

Leva uns escassos 42 segundos
a livrarmo-nos de um peso.
De um grito que estava preso
em mordaça gutural,
pelo nó apertado de um laço.

Pouco menos que um minuto,
leva a tirar o peso bruto
da espada sustida pela bigorna.
Só um verdadeiro rei,
poderá almejar em resgata-la,
para mais tarde, no alto de um grito,
emudece-la e outra vez amordaça-la.

Quarenta e dois segundos... só!
Para bradar a quem queira ouvir.
Conhecidos, sobrinhos, irmãos e avó,
todos reunidos numa mesa mais curta que o esperado,
que leva menos de nada a desarmar em debandada.
Só um Rei, para assistir do trono,
o espaço deixado livre,
nas cadeiras dos que não quiseram mais ouvir.

Um urro de dor urgente,
uma voz isolada num mar de gente,
as palavras loucas de um vagabundo.
Tudo estava bem, mas de repente
a garganta soltou o que deveras sente
e levou só 42 segundos.


Zéphyro  19-09-2015

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