Era realmente estranho o secundário
e todos os que vendiam os contos do vigário
na forma das matérias que aprendi.
e todos os que vendiam os contos do vigário
na forma das matérias que aprendi.
A única coisa útil foi saber o abecedário
e ter-te nas minhas mãos como contas de um rosário
e desfiar-te... e descobrir tudo sobre ti.
e ter-te nas minhas mãos como contas de um rosário
e desfiar-te... e descobrir tudo sobre ti.
Eram todos tão iguais nesse tempo...
Tão enfadonhos, que preferi ser um vento
para ver de cima os baixios da altura.
Tão enfadonhos, que preferi ser um vento
para ver de cima os baixios da altura.
Passou a ser escárnio o meu passatempo
e passou a ser a morte o meu sustento,
até chegares tu e me tirares da sepultura.
e passou a ser a morte o meu sustento,
até chegares tu e me tirares da sepultura.
Recordo que lias palavras soltas no jornal
e eu, lia tudo em ti como um atlas mundial
com uma curiosidade que não soube travar.
e eu, lia tudo em ti como um atlas mundial
com uma curiosidade que não soube travar.
Eu era o filósofo e tu a pedra filosofal,
levei-te até ao entroncamento e de forma natural,
ouvi apupos e incentivos e tive de te beijar.
levei-te até ao entroncamento e de forma natural,
ouvi apupos e incentivos e tive de te beijar.
Ainda lembro bem o medo que senti...
Será que vias em mim tudo que querias?
Pois se eu nunca quis nada até te querer a ti,
como viveria sem te ter o resto dos meus dias?
A angústia era tão grande como o medo
e pela primeira vez, acordei sem ter dormido
apressei-me e corri, para chegar a ti mais cedo
e sentir a tua mão na minha e o teu sussurro no meu ouvido.
e pela primeira vez, acordei sem ter dormido
apressei-me e corri, para chegar a ti mais cedo
e sentir a tua mão na minha e o teu sussurro no meu ouvido.
Já passou tanto desde então...
Já ganhamos e perdemos de tudo, até um cão
mas não mudava uma virgula à nossa história.
Já ganhamos e perdemos de tudo, até um cão
mas não mudava uma virgula à nossa história.
Só sei caminhar porque és tu o meu chão.
E és tu a única raiz deste pobre órfão,
sem terra, sem nome, sem pai nem glória.
E és tu a única raiz deste pobre órfão,
sem terra, sem nome, sem pai nem glória.
E ensinaste-me mais que as matérias da escola!
Ensinaste-me magia e a ler no cristal da bola
todo o futuro que um dia há de vir.
Ensinaste-me magia e a ler no cristal da bola
todo o futuro que um dia há de vir.
E só quero ser pobre e viver de esmolas
e ser feliz contigo e com as minhas escolhas
e criar a nossa menina como um jardim a florir.
e ser feliz contigo e com as minhas escolhas
e criar a nossa menina como um jardim a florir.
O tempo passou e apenas cresceste,
dentro de mim, fora de mim, em todo o lado...
Nem sabes de tudo que já me deste,
desde que nos escolhemos como namorados.
Nem sabes de tudo que já me deste,
desde que nos escolhemos como namorados.
Zéphyro 15-02-2018
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