É o mar agigantado sobre as rochas,
lançado praia a dentro.
São os barcos voltados ás avessas,
varridos pelo vento.
É um inverno, um inferno, é um terror,
mas não, não é dor...
É o pelotão na parede de fuzilamento,
aguardando a rajada.
São os condenados a correr em regimento,
para cair na emboscada.
É a chacina, a carnificina, é o horror,
mas não, não é dor...
É o genocídio derramando sangue jovem,
em nome da palavra de um deus.
São os pobres, os mendigos e a fome
e os católicos, os muçulmanos e os judeus.
É o respeito, é o despeito, é o temor,
mas não, não é dor...
É um morto esquecido na sarjeta,
invisível aos olhos ocupados.
São as cortesias que ficam na gaveta,
são os abraços que nunca foram dados.
É a luta desmedida por um lugar no pódio...
Não, não é dor, é ódio!
Zéphyro 21-02-2018
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