Como gostava eu de pontapear a boca do infinito.
Sentir-lhe os dentes partir na biqueira das minhas botas,
vê-lo sucumbir à potência do embate.
Como seria bom subjuga-lo a mim.
Á minha vontade desavinda.
Vê-lo abnegado, de joelhos, implorando a minha misericórdia.
Um dia, prometo, desafiarei o rei numa luta pelo trono.
Vazarei a sua pele com a minha lâmina
e ficarei impávido a assistir enquanto se esvai
e se afoga no charco dos próprios fluidos.
Serei eu mesmo a coordenar os festejos fúnebres
e, palavra, respeitarei dignamente os restos do meu adversário deposto.
Eu mesmo atirarei a primeira flor para a cova,
seguido do primeiro punhado de terra
que deixará no ar um eco seco e lamentado
após bater nas tábuas confinadas.
Inaugurarei o banquete, com as mais refinadas iguarias.
Serão elas o adeus inglório do povo ao regente que as esmifrou outrora.
Depois, com gosto, desposarei a rainha.
Com desdém, com orgulho, com a fome enraivecida que jamais sonhei sentir.
Condenarei à fogueira os seus rebentos.
Do maior ao mais pequeno.
Apenas para encerrar uma era, para desterrar um mito,
para derrubar a última barreira que me impede de ter o mundo nas mãos.
Que me segura e evita que eu chegue ao topo da minha sina.
Ao cume do meu destino, ao culminar de todos os meus dotes.
Sentir-lhe os dentes partir na biqueira das minhas botas,
vê-lo sucumbir à potência do embate.
Como seria bom subjuga-lo a mim.
Á minha vontade desavinda.
Vê-lo abnegado, de joelhos, implorando a minha misericórdia.
Um dia, prometo, desafiarei o rei numa luta pelo trono.
Vazarei a sua pele com a minha lâmina
e ficarei impávido a assistir enquanto se esvai
e se afoga no charco dos próprios fluidos.
Serei eu mesmo a coordenar os festejos fúnebres
e, palavra, respeitarei dignamente os restos do meu adversário deposto.
Eu mesmo atirarei a primeira flor para a cova,
seguido do primeiro punhado de terra
que deixará no ar um eco seco e lamentado
após bater nas tábuas confinadas.
Inaugurarei o banquete, com as mais refinadas iguarias.
Serão elas o adeus inglório do povo ao regente que as esmifrou outrora.
Depois, com gosto, desposarei a rainha.
Com desdém, com orgulho, com a fome enraivecida que jamais sonhei sentir.
Condenarei à fogueira os seus rebentos.
Do maior ao mais pequeno.
Apenas para encerrar uma era, para desterrar um mito,
para derrubar a última barreira que me impede de ter o mundo nas mãos.
Que me segura e evita que eu chegue ao topo da minha sina.
Ao cume do meu destino, ao culminar de todos os meus dotes.
Zéphyro 03-06-2014
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