Certo dia olhei para o céu acima de mim...
Temente às mil e uma luzes que iluminam a noite
e todos os sonhos de onde acordo contigo em pensamento.
Quis roubar uma dessas luzes, só para ti.
Mas a imensidão desse mar negro e polvilhado tramou-me.
Ousei, um dia, cheirar da tua pele o aroma de infindos jardins floridos...
Inebriado pela fragrância que me faz cantar hinos de desejo
e rebolar na cama acordado em desassossego.
Quis oferecer-te novas flores, colhidas em canteiros desconhecidos
com novos aromas, só para ti.
Mas fui eu colhido, por um amante da morte
que vive dentro de mim e se dá a quem me segue.
Toquei um dia nos suaves cabelos de algodão
que usam compridos as sereias dos mares incógnitos.
Mechas de melodia e fogo submerso.
Quis oferecer-te a submissão de todos os deuses
mas a falta de fé e crença condenou-me, condenou-nos.
Como ousei acreditar que seria despenalizado
após atirar tantas pedras ao altar onde quis, um dia, deitar-me.
Sempre quis encontrar as palavras para te dizer o que sinto.
Pantenteà-las para que sejam usadas só para ti.
Como um dicionário novo, ilustre e ilustrado
com imagens coloridas pelo arco íris
que de bom grado roubaria, só para te oferecer.
Certo dia, acordei e não te vi...
Fugiste, traída e assustada pelas palavras que não proferi.
Sou o que quiseres...
Sou profeta, pregador
Sou amante, sou amador
Sou ardente, sou ardor!
Sou o que me ordenar a tua mão altiva,
vou onde me guiar o teu olhar incerto.
Vou vivo, vou morto, vou concreto,
Só para ti!
Zéphyro 29-10-2013
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