O Poder!
Essa droga vertiginosa
que corre nas veias dos opulentos
senhores da sociedade.
Senhores feudais dos tempos modernos,
que nos permitem viver a trabalhar.
Lutar cada empreitada, movidos pelo desejo escondido,
de sermos, nós também, um dia talvez,
Gordos e fartos!
Generosos e magnânimos!
Poderosos e letais!
É estranho pensar que,
uma data de desgovernados da alma
dite as regras, fazendo e desfazendo vidas,
Pisando nos prantos abaixo,
ignorando os lamentos em redor.
Tudo em prol do objectivo comum.
Objectivo ao qual nós, simples pretendentes,
estamos alheios, mas, isso, é comum de facto.
Não deixamos claro, de dar a vida por ele. Isso nunca!
Pois é todo o objectivo que conhecemos,
ainda que de outrem.
Alguns, ditos iluminados,
assistem de fora.
Cospem a critica em todas as direcções,
na esperança de assim acertar,
usando e abusando do sarcasmo.
Usando e abusando do escárnio e da falta de pudor.
Riem e fazem rir os tontos
com palavras que nos mostram,
o quão ridícula é a nossa demanda.
Mas esses, os donos da sátira,
procuram apenas, também,
ter nas veias a atenção
que vem da fábrica dos sonhos.
Vendem eles também a alma ao diabo por ela.
Restam aqueles que nada sabem.
Os inocentes, os alienados.
Os sem rei nem roque,
os sem abrigo e sem pátria,
sem lei ou civismo.
Que são livres de verdade.
Consumiram já todo o poder que queriam.
São imunes aos seus efeitos nefastos.
Padecem primeiramente, mas ignoram,
mais vezes são apartados, mas não sabem
e desprezam o desprezo a que são sujeitos.
A esses, pouco lhes importa o mundo.
Este mundo, que lhes cobra o que já foi pago.
Este mundo viciado que rouba e ceifa vidas e vidas.
Que prospéra à custa do sacrifício,
geração após geração,
de pessoas, usadas como ferramentas,
como objectos descartáveis.
Pessoas que percorrem e recalcam
as pedras da calçada,
à espera de encontrar uma moeda mais.
A moeda que trará a nova dose.
A moeda que trará a tudo o seu sentido.
O poder humilha a vontade alheia!
Só porque sim!
O poder mata o humanismo
e gera criminosos, já viciados.
Alimentados pelo leite materno
conspurcado também pela pesada mão,
da sociedade, da democracia e do estado.
O poder enoja!
Zéphyro 06-10-2013
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