segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Liberdade

A liberdade é um néon
que reluz na noite.
Segundo sim, segundo não,
como o tic tac de um relógio,
flácido como os de Dali.
É o reflexo vítreo de um qualquer espadarte,
pescado ás ganas, tirado a linhas e mãos nuas
de um mar negro e medonho.
Essa sepultura desconhecida,
esse limite imaginário
que retem os passos do nosso futuro.
Livre é aquele que desconhece...
Aquele que busca o desconhecido...
Aquele que faz do mundo algo sempre novo,
sempre surpreendente, ao qual
não chegamos nunca a pertencer.
A liberdade é uma miragem.
Uma cantante sereia nua
que nos envolve nos seus sonhos
e nos faz desejar a morte pelos seus objectivos.
A liberdade é a pertença.
É um grupo que nos agrega
uma mão que se nos estende
e nos faz percorrer um caminho já escolhido
e jogar segundo as suas regras.
Livre é aquele que se tem só!
Que partilha o que é seu por direito
com todos outros que se alimentam dos mesmos frutos,
que sorvem das mesmas fontes,
sem nunca deles depender.
O livre é desprendido!
O livre é desprovido!
A liberdade...É um emprego, de segunda a sexta,
que mantemos sem chegar a querer.
A liberdade é uma tarefa,
uma ordem, uma jornada.
Um dia a dia que repetimos por instinto,
enquanto esperamos pela chegada da mudança.
A liberdade vive presa!
Presa num sonho sozinho,
num chupa chupa amarelo limão,
na relva verde que se agita,
ao ver passar o tempo como o vento.
Livre é aquele que não tem plano,
só fantasia.
Aquele que não executa nunca
e sempre improvisa cada gesto
de acordo com a sua volátil vontade.
De acordo com a sua sede cega,
por aquém e além, por vida e morte.
A liberdade é um bem comum,
de senso bem comum.
Todos temos liberdade,
todos somos liberdade,
todos invejamos liberdade.
Livre é aquele que não conhece o limite.
Que não reza credos
e não obedece a lei alguma.
Livre é o que imagina,
que almeja montes distantes,
sorrisos anónimos
e anarquias de outrora.


Zéphyro 06/10/2013

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