quarta-feira, 4 de junho de 2014

Polaridades

Há no mundo pelo menos um parvo por cada génio.
Há alguém que rouba para neutralizar a bondade
de um alguém que cede, um alguém que dá.
O universo é polarizado... dizem.
A cada sorriso genuíno, a cada gargalhada,
corresponde um pranto, um lamento, uma dor.
Tantas são as beldades, que trazem esperança ao pobre
como os camafeus, que enojam os ricos.
Como é possível que respirem do mesmo ar?!
Há uma nova vida, um novo começo,
em cada morte, em cada culminar da história.
O universo é uma balança... dizem.
Voam gaivotas, desabrocham lírios, implodem as ondas do mar,
a chuva lava os passeios, o sol leva o breu
e o vento lava os céus e devolve-lhes o futuro.
Crianças morrem sem nascer, mundos desabam sem emergir,
sonhos passam sem ficar e as tempestades são cada vez mais fortes.
O cosmos tira tudo o que dá... dizem.
E eu acredito.
O mundo, dá algo, a cada algo que nos subtrai.
Acreditas tu?
Terá uma ordem a desordem em que vivemos?
Haverá uma lista de acontecimentos,
que vão sendo riscados como produtos
que eliminamos no papel que trazemos em mãos
enquanto deambulamos pelo supermercado?
Quem decide o que já passou e o que falta ainda viver?
Quem faz a lista de compras que nos encherá o lar?
Como se fossemos um só agregado, um só equilíbrio
que teima em ziguezaguear cruzando constantemente a linha.
sim! Há uma linha que separa tudo.
O certo do errado, o bem do mal,
a sorte do azar, o prazer da obrigação,
a vida da morte.
O que eu gosto, do que eu não gosto,
o que eu já vi, do que eu nem sonho ver ainda.
Ou então, é tudo publicidade.
Um longo e cativante anuncio.
Musicado, bailado, colorido.
Propaganda pura com que somos mimados
por nós mesmos.
Manobras de diversão
que nos apartam do que não temos coragem de encarar.
A vida é justa! Causa efeito.
Tu roubas, eu padeço.
Tu matas, eu pago.
Tu ris, eu lamento.
Tu avanças, eu quebro.
Tu triunfas, eu mereço.
Tu chegas, eu parto.
Tu esqueces, eu lembro.
Uma borboleta bate as asas em ti
e eu, fujo para a cave.
Carregado de mantimentos,
para evitar o furacão que começou lá fora.
A vida é nossa... dizem.

Zéphyro 04-06-2014

Sem comentários:

Enviar um comentário