quinta-feira, 5 de maio de 2011

O porquê e o objectivo deste blogue!

Não raras vezes dei por mim a constatar que, deveria fazer um blogue.
Sempre escrevi, muito... sobre tudo e sobre nada, porém, nunca me pareceu bem mostrar aos outros o que havia escrito. Fosse poesia, prosa ou mero desabafo, torna-los, digamos, de domínio público, sempre me intimidou. Quase ao mesmo nível que andar por aí, despido nas ruas.

Agora sinto que é a hora certa! Sou neste momento um naturalista das palavras.
 Este blogue nasceu... porque sim!
Comprometo-me a ser o autor de todos os meus posts, bons ou maus, ignorados ou apreciados!

Espero que se divirtam a ler e a postar o que bem vos aprouver.
Façamos deste espaço uma espécie de cyber muro das lamentações.


Abraços

3 comentários:

  1. Não resisti em partilhar um dos meus poemas preferidos, para marcar a inauguração deste belo espaço!
    Portanto aqui fica:

    Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
    e o que nos ficou não chega
    para afastar o frio de quatro paredes.
    Gastámos tudo menos o silêncio.
    Gastámos os olhos com o sol das lágrimas,
    gastámos as mãos à força de as apertarmos,
    gastámos o relógio e as pedras das esquinas
    em esperas inúteis.

    Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
    Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
    era como se todas as coisas fossem minhas:
    quanto mais te dava mais tinha para te dar.

    Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
    E eu acreditava.
    Acreditava,
    porque ao teu lado
    todas as coisas eram possíveis.

    Mas isso era no tempo dos segredos,
    era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
    era no tempo em que os meus olhos
    eram realmente peixes verdes.
    Hoje são apenas os meus olhos.
    É pouco, mas é verdade,
    uns olhos como todos os outros.

    Já gastámos as palavras.
    Quando agora digo: meu amor,
    já não se passa absolutamente nada.
    E no entanto, antes das palavras gastas,
    tenho a certeza
    de que todas as coisas estremeciam
    só de murmurar o teu nome
    no silêncio do meu coração.

    Não temos já nada para dar.
    Dentro de ti
    não há nada que me peça água.
    O passado é inútil como um trapo.
    E já te disse: as palavras estão gastas.

    (Eugénio de Andrade – 1987)

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  2. É sempre uma infinito prazer recordar este estrondoso poema. De linguagem tão simples e resignada que nos deixa rendidos ao primeiro verso.
    Eugénio de Andrade é um dos meus favoritos. Fala directamente do coração, sem passar pelos clichés da mente vulgar.

    Bem hajas pelo comentário. Espero humildemente que seja o primeiro de muitos.

    Abraços,

    Zéphyro

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  3. Antes de mais quero começar por dar os parabéns por este novo espaço e espero que finalmente atraves dele todos possam conhecer um dos teus fantasticos dotes: a escrita! Apesar de sentir um bocadinho de "ciume", porque vou deixar de ser uma das poucas pessoas a ter o privilegio de ler o que naturalmente te sai, sejam poemas ou meros desabafos, nao é justo que outras pessoas nao o conheçam. Porque es fantastico e coisas como esta devem sem divulgadas!
    Continua e nunca percas esse teu dom, pois foi uma das muitas coisas que me fez apaixonar por ti...
    Parabens e um beijo do tamanho do mundo!
    Cheyene e Helena

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