quinta-feira, 12 de maio de 2011

Culpa de me saber inocente

Vi o veneno e ele falou-me,
Que quem mata e revolta o mar, sou eu!
Que quem consome, sem respirar, sou eu!
E esta verdade, fez-me, abalroou-me…
Murmurou-me que não, que não sou perfeito,
Que escondo, que evito, que sou culpado!
Que tremo, fujo e hesito, sou culpado!
E a dor que me deu, confortou-me como um leito.
Fez-me sentir que assumo verdades invisíveis,
Que burro que sou, que sonho sozinho
Que atiro pedras no meu no caminho
E me resigno perante mundos de mãos falíveis.
Porque não sinto então, não arde nem dói,
Se tanto peco, humilde inquiri,
Porque não paro? Não mudo o que me dói?
Porque de orgulho me vejo águia e na verdade sou colibri!

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