Que pesado vício na voz trazes,
Que pesado pensar julgas possuir?
Que em teu transformas, o mal que fazes
E gritas mudo, para ninguém ouvir!
És vil, eterno, em cinza mesclado.
Encéfalo sujo, em sonho de vinil.
De tanto que falas, acabas calado,
De tanto que ouves, és tão subtil.
No insípido mistério da noite que urge,
Reencontras o véu inebriado que acarretas.
Mordes e rogas, ao ensejo que surge
E derrubas barreiras que outrora eram metas.
E, em suma, no lodo te vejo,
Sem que no fundo saiba quem és.
Um sábio, uma mentira, talvez um beijo,
Ou o mundo que corres… de lés a lés!
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