Que triste ser um curso de água,
sem significado algum nem grandeza,
sem foz nem nascente,
nem montante nem jusante.
Apenas um riacho, ou menos que isso,
um mísero regato sem leito
que se esfuma a meio do percurso
por não ter onde cair morto.
Que triste correr em águas paradas,
que não aquecem nem arrefecem
e não desbravam nunca serra nenhuma.
Apenas um serandar sem sentido nem fé,
sem peixes nem penedos,
nem vida de espécie alguma.
Uma pasmaceira só, que respira por respirar,
sem dar nunca valor ao ar
que já não corre à sua volta.
Que triste ser um regato
que não é afluente de ninguém
nem tem espaço nos mapas
ou vales que o abracem.
É como ser orfão sem ter perdido os pais.
Como ser pai sem ter tido nunca um filho.
Como existir sem nunca ser de verdade.
Como pensar, sem concluir coisa nenhuma.
Zéphyro 21-04-2015
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