O meu amor, adora um croissant quente
todos os dias ao acordar.
Isso e uma taça de morangos,
que segura pela rama enquanto suga
a polpa e morde a carne crua do fruto.
Todos os dias fico a vê-la comer,
lambendo inocentemente as migalhas tímidas
que teimam em segurar-se nos cantos da sua boca.
Fico a vê-la mordiscar com prazer
cada pedaço do que lhe levo na bandeja.
No final, sirvo-lhe sempre um café,
puro e forte que lhe carrega
de energia o corpo para mais uma jornada.
O meu amor, lambuza-se sempre na cama,
despojada de cobertas e lençóis,
desnudada de vestimentas excessivamente quentes.
Nunca falo enquanto ela rebola
no sustento que lhe sirvo com gosto.
Temo interromper-lhe os pensamentos
e roubar-lhe a sofreguidão com que esmiúça
em pequenos pedaços o pastel francês.
Pequenos pedaços que mastiga
enquanto me olha nos olhos,
com olhos de quem come e chora por mais.
O meu amor, toma sempre o pequeno almoço
na cama onde sonhou a noite inteira,
segura na servidão dos meus braços.
Zéphyro 17-04-2015
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