quarta-feira, 8 de abril de 2015

As mechas de Sansão

Sansão era forte como um touro,
ou até dois, que dificilmente um touro,
derrotaria sozinho um exército de fariseus,
munido apenas de uma queixada de jumento.
Os seus braços eram arietes nas muralhas inimigas,
as suas pernas, eram troncos que marravam o solo
com a força de uma tormenta.
Mas a maior das suas forças era o seu cabelo,
longo e crespo como crina de um cavalo andaluz.
E eu? Que será de mim calvo que fiquei,
ainda na cara tinha as marcas do acne?
Que Dalila quererá trair-me
e cortar durante o sono
a força bruta que não tenho na cabeça?
Quem poderia derrotar eu sozinho
se nem um touro chego a valer?
Sansão valia dois, ou mais até!
E tinha mechas só comparáveis em beleza
com o ouro dos cabelos da Rapunzel.
Eu, estou praticamente careca.
Um ou outro tufo de lado,
por cima das orelhas, mas nem chego a parecer gente.
Assemelho-me mais a um dente-de-leão soprado pelo vento.
Como sobreviverei na selva dos dias
por onde passo sem bater em ninguém?
Como queria eu um punhal bem espetado nas costas
e acordar sem forças numa destas manhãs.
Que belo seria recupera-las mais tarde
para fazer ruir um coliseu qualquer
cheio de gente e apupos, mesmo estando careca...


Zéphyro   08-04-2015

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