sábado, 6 de junho de 2015

Se a vida é uma escada...

Se a vida é uma escada,
eu vivo num vão dessa escada,
escondido por trás da balbúrdia
que sobe ou desce na minha ignorância.
Se a vida é uma escada, estanque,
nem sequer sei se sobe ou desce quem sobe e desce
a não ser que vá com pressa.
Sinto-me o único par de olhos sem óculos,
numa repleta sala de cinema a três dimensões.
O único a marchar a leste,
do paraíso que se queda a ocidente.
Se a vida é uma escada,
eu estou num vão arredado de consciência.
Como se toda a alma me tivesse deixado,
espremida das minhas tripas
pelas próprias mãos com que me detenho.
Preciso de um par de dedos, delicados,
que puxem e repuxem o lóbulo da minha orelha.
Preciso de um abraço silencioso e omnisciente.
Preciso de uma mão, firme,
enfiada entre as mechas do meu cabelo duro,
que afague o meu couro,
como se abraçasse toda a minha existência.
Se a vida é uma escada,
não subo... não desço.
Afastado dos degraus do passado
e do futuro, pelo vão escuro
e desprovido de ensejo
onde me escondo todas as noites.


Zéphyro  06-06-205

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