Ouço os gemidos entoarem pelas paredes de mim...
Vibro ondulante ao som de pequenos ragos e esgares
de dor incerta, de revolta contida, de caos interior...
Borboletas pousam e tremelicam
em flores de agonia, sonhos perdidos e devaneio.
Como se ficasse mais forte uma luz que se afasta,
como se nos preenchesse as mãos
a areia que nos escorre entre os dedos.
Um quase mundo, vivido para a frente,
mas que gira no sentido inverso.
Os gemidos são agora pedras
que marcham na nossa direcção
a um ritmo que altera, que nos altera.
Da placidez quase rotineira
saltamos à fúria descontrolada,
passamos à exigência, à demanda, ao orgulho...
Suspenso!
Rebenta agora em mil suplicas, mil lamentos
o que tinha sido contido no peito.
No peito hediondo que reclama pela mãe natureza que, perdida, não chora os seus ais.
Um quase rogar a alguém divino, alguém mais forte, alguém mais certo...
Um alguém que não falha mas, ao mesmo tempo,
um alguém que nunca veio, que sempre faltou.
Ouço os gritos psicadélicos,
quais premonições do apocalípse
e deixo-me levar até á consternação.
Até ao momento em que entrego as armas,
em que abandonamos a luta
e entramos na paz da desistência.
O momento em que olhamos em redor
e não está mais ninguém,
que nos sustente, que nos deseje...
Pairo até ao fim, embalado pela certeza
de que a música, me acompanhará na jornada.
Só a música.
Zéphyro 25-01-2013
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