Se me cruzares um dia, na rua,
muda, por favor, o rumo
como se desconhecesses quem sou.
Dispenso ver nas paredes do passado,
os esgares que eu já fui.
Se te paira na mente o meu nome,
esquece, rogo-te eu, os traços do meu rosto,
como se eu fosse alguém distante.
Assusta-me o medo que sinto,
por tudo que te dei um dia.
Se me queres, não me chames, não irei
ao teu encontro, como em muitas outras luas.
Não que não te queira eu também,
na sub-pele dos meus delírios...
Apenas não suporto mais
o meu nome na tua boca.
Essa boca que fala as minhas palavras,
que geme os meus gemidos,
que sente as minhas dores e beija os meus beijos.
Não, não me chames mais.
Já te fui, não o sou mais.
Tornei-me outro, já não sou meu.
E, se me cruzares um dia
não te esqueças, nem me esqueças.
Se me vês, é por seres quem sou.
Um alguém em mutação que não será meu amanhã.
Zéphyro 23-01-2013
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