Chuva leva, chuva lava,
chuva ensopa os meus desejos.
Devolve ao céu a esperança pura
de um sol que se esconde algures.
Como se mandasses tu Ó chuva,
fosses tu topógrafa dos meus passos...
... que arrastados até ao nada se perderam no caminho.
Chuva limpa, chuva e lama,
na terra estampando o meu rumo.
Como pegada, como uma pista deixada para trás.
Como se soubesses já Ó chuva,
os truques que reserva a estrada,
os atalhos e os engodos...
... onde sempre preguiço e tropeço.
Sabes-me vil e ainda não descobri?
Sabes-me nu aos olhos do mundo,
sem que me tenha dado a mim mesmo?
Chuva pura, chuva pára,
de assombrar os meus ensejos.
Devolve aos corpos o aroma
devolve a areia, o mar e o céu!
Levaste sem pedir o calor dos abraços.
Como se fosses deus Ó chuva,
e jogasses a sorte com o meu alento.
Fosses tu jurada, na causa dos meus dias...
... fosse eu o réu ou vítima deambulando a teu prazer.
Existes mesmo ou estás em mim?
Chuva és tu, chuva sou eu.
Zéphyro 23-01-2013
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