terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Instinto

Impera a vontade lá,
no sítio de onde ela vem.
Não há quem resista a levantar um véu
para espreitar com ganas o amanhã.
Lá, todos se têm,
lá, todos se dão.
No sítio de onde ela vem,
já Pandora se libertou da clausura.
Não há embustes ou fingimentos.
Não há acção... reage-se!
Não se come sem ter fome,
e o sono, chega sempre tarde.
Paira no ar um inebriante aroma de carne
quente, consumida, abusada.
Carne que se dá como um livro que se abre
e espalha a nova palavra.
Extinguindo os segredos,
Quebrando as amarras,
libertando bocas amordaçadas,
expiando pecados
e desvirginando dogmas.
Impera a pureza, lá, longe...
... no inferno terno de onde ela vem.
Quem padece, não é esquecido,
não é relembrado nem homenageado, não!
Quem vai, nunca parte realmente.
Quem chega, nunca mais quer partir.
Lá, não há pensadores,
lá não há ideologistas,
lá não há religiões.
Todos acreditam no aqui e no agora,
todos esmeram sentidos e gemidos
sem medo de represálias.
Sem receio de falhar,
ou pressão de vencer.
Lá, na terra onde a vontade ordena,
as pessoas não são gente,
os bichos não são animais.
Todos bebem dos mesmos riachos
e partilham o mesmo céu.
Como se fossem uma só existência,
uma só verdade,
um só desejo,
um impulso, um instinto...

Zéphyro  29-01-2013

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