Levantei-me pela noite e gritei à lua.
Gritei à lua o meu transe, bradei-lhe os meus suspiros.
Falei-lhe das mágoas que me deram alento
e das fantasias que me consomem o corpo.
Como as chamas de um fogo...
...a lamber as paredes de uma fachada enegrecida.
O silêncio acordou-me esta noite.
Ou terá sido noutra qualquer?
Tu chamaste por mim, nua.
Ou terei sido eu a desejar-te?
Esperei sempre por ti, sempre por este Agora!
Ou terás sido tu a seguir-me, desde o nada de onde vim?
Serei eu o alguém que esperas?
Ou será o meu corpo mais um mero vício teu?
Algo que sorves e te inebria?
Levantei-me pela noite.
A lua, havia fugido, no vazio escuro da noite.
Gritei, bradei aos quatro ventos...
... e a resposta eras tu!
Na forma de gotas do suor apaixonado,
Que languidamente me escorre pelas costas.
Sentes amor, quente e terna a nossa carne?
Sentes minha lua, o escuro das minhas noites?
Anda, vem a mim, calma, quente, misteriosa.
Hei-de sempre sucumbir ao orgulho dos teus passos.
Zéphyro
22/01/2013
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