Um animal ao peito de uma senhora,
geralmente é uma estola.
O chumbo entra-lhes pelo peito
e estala os ossos à passagem
até se alojar num orgão vital qualquer.
Pode ter sido uma marta ou uma chinchila,
morto, apenas é uma estola que dá estilo.
Um touro a caminhar pelas ruas,
geralmente foi picado para a corrida
e não tenta apanhar quem lhe corre na frente,
apenas salvar-se da brasa do ferro.
Corre e tropeça, coitado,
sem direito a tapas e a sangrias,
mas sangra e transpira, pelas feridas destapadas.
Um urso de pé à janela,
é quase sempre um prisioneiro.
Salta arcos em chamas e corre ágil,
por cima de barris vazios de madeira.
Joga à bola e anda de monociclo
mas a janela, é de uma gaiola grande
e raramente o deixam juntar-se à mesa
com os comuns camaradas do circo.
Um chimpanzé amacacado de batões e purpurinas,
é apenas uma cobaia da mais fútil das ciências.
Não salta galhos, não come frutos
e vive numa gaiola sem janela,
que não veria mesmo que existisse
devido às reacções tóxicas nos olhos.
Passa o dia sentado, aguardando a morte,
ou a próxima sessão de maquilhagem,
que é mais ou menos a mesma coisa.
Deixem os bichos á solta!
Deixem que a marta salte para os pescoços
das senhoras mais elegantes
sem ter de ser uma estola morta.
Que possa o touro passear-se em Pamplona,
e ver as montras e apanhar bebedeiras
que o façam ter vontade
de alinhar nas festividades.
Permitam ao urso uma cavaqueira
com a dupla de trapezistas chineses
antes do espectáculo começar.
E, no fim, quando todos recolherem a casa,
felizes com os desempenhos dos artistas,
deixem que o urso beba um último copo,
na taberna com os demais,
para festejar mais um dia bem sucedido
na mais bela arte itinerante.
E os macacos... que o sejam sem macacadas!
Que possam pular com certeza
do próximo pulo a dar.
Que comam todos os frutos que puderem,
sem ter de borratar os lábiozitos,
tão bem coloridos de rosa choque.
Zéphyro 21-07-2015
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