Estou a ficar louco, confesso.
Já quase não distingo os dias
uns dos outros e todos me parecem
uma longa viagem ao centro do nada.
Estou a ficar louco, confesso.
Esbracejo para manter-me à tona
da realidade que se entrelaça em mim
como o remoinho de um rio selvagem,
puxando-me para o fundo, para dentro,
para baixo, mais abaixo que sei lá o quê.
Sinto na boca o gosto da loucura
quando recordo acordar pela manhã.
O gosto azedo e indefinido
que se desconhece se é bom
ou se é a fonte de todos os males.
Estou a ficar louco confesso.
Vestiria eu mesmo o colete de forças,
se encontrasse em mim sanidade para me mexer,
se soubesse em mim lucidez para abrir os olhos.
Imploraria eu mesmo por eutanásia,
se tivesse em mim noção de estar vivo,
se nascesse em mim a coragem para morrer.
Zéphyro 27-07-2015
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