Já tentei todas as formas
para te dizer o que tento dizer-te,
desde que te pertence a minha vida.
Cuidei que saberia, como mostrar
claramente a minha alma e o que puseste
habilmente dentro dela.
Cuidei que o faria com palavras despojadas,
que o faria com discurso ordinário,
ou com demonstrações vãs de desafecto.
Mas não disse nem fiz nada
de realmente concreto de vez nenhuma.
Foi tudo um marasmo de palavras ocas,
que se perderam no vento alheio,
uma panóplia de habilidades
sem habilitação para reabilitar.
Já tentei de todas as formas,
até com a poesia, que, dizem,
é a linguagem usada pelos deuses.
Cuidei que se deixasse os deuses
falarem por mim, encontrarias
a verdadeira religião nas suas vozes.
Cuidei que me crerias mais se os escutasses,
a dizerem-te ao ouvido os meus credos,
a rogarem-te ao ouvido pelos meus medos
e a guiarem os teus passos de mãos nas tuas costas.
Será que ouvirás a deus?
Será que temerás a deus e o amarás,
acima de tudo e de todas as coisas?
Ou talvez, deva tentar falar
através da voz que trazes muda
e surda bem escondida dentro de ti.
Sim, se me fizer ouvir pela tua voz
entender-me-ás de certeza.
Cuido que usarás as tuas próprias palavras
e cuido que encontrarás um novo sentido
nelas, ditas no segredo do teu coração.
Zéphyro 31-07-2015
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